A Preguiça Move o Mundo II

Muitas pessoas não concordaram com a teorias de que “A preguiça Move o Mundo”, ainda me sinto no dever de defender o verdadeiro valor desta, incumbido de espírito em tal luta me pus a procurar nas palavras de outros tal confirmação, afinal não posso renegar o que defendo.

Algum autor desconhecidos uma vez concebeu a seguinte afirmação: “A preguiça é a mãe de todos os vícios e como mãe é mãe, devemos respeita-la”, esta frase reconhece a clara presença da preguiça quanto agente transformador, o que mais além da tentativa de manter um vício faria as pessoas sairem do comodismo intelectual e pensarem.

No texto de Machado de Assis há a reabilitação da preguiça como uma virtude, dando a esta o lugar merecido na história, novamente me sinto no dever de respeitar a “mãe maior” segue a parte do texto pertinente :

“Clamava ele que as virtudes aceitas deviam ser substituídas por outras, que eram as naturais e legítimas. A soberba, a luxúria, a preguiça foram reabilitadas, e assim também a avareza, que declarou não ser mais do que a mãe da economia, com a diferença que a mãe era robusta, e a filha uma esgalgada. A ira tinha a melhor defesa na existência de Homero; sem o furor de Aquiles, não haveria a Ilíada: “Musa, canta a cólera de Aquiles, filho de Peleu”… O mesmo disse da gula, que produziu as melhores páginas de Rabelais, e muitos bons versos do Hissope; virtude tão superior, que ninguém se lembra das batalhas de Luculo, mas das suas ceias; foi a gula que realmente o fez imortal. Mas, ainda pondo de lado essas razões de ordem literária ou histórica, para só mostrar o valor intrínseco daquela virtude, quem negaria que era muito melhor sentir na boca e no ventre os

bons manjares, em grande cópia, do que os maus bocados, ou a saliva do jejum? Pela sua parte o Diabo prometia substituir a vinha do Senhor, expressão metafórica, pela vinha do Diabo, locução direta e verdadeira, pois não faltaria nunca aos seus com o fruto das mais belas cepas do mundo. Quanto à inveja, pregou friamente que era a virtude principal, origem de prosperidades infinitas; virtude preciosa, que chegava a suprir todas as outras, e ao próprio talento.

As turbas corriam atrás dele entusiasmadas. O Diabo incutia-lhes, a grandes golpes de eloqüência, toda a nova ordem de coisas, trocando a noção delas, fazendo amar as perversas e detestar as sãs.

Nada mais curioso, por exemplo, do que a definição que ele dava da fraude. Chamava-lhe o braço esquerdo do homem; o braço direito era a força; e concluía: muitos homens são canhotos, eis tudo. Ora, ele não exigia que todos fossem canhotos; não era exclusivista. Que uns fossem canhotos, outros destros; aceitava a todos, menos os que não fossem nada. A demonstração, porém, mais rigorosa e profunda, foi a da venalidade. Um casuísta do tempo chegou a confessar que era um

monumento de lógica. A venalidade, disse o Diabo, era o exercício de um direito superior a todos os direitos. Se tu podes vender a tua casa, o teu boi, o teu sapato, o teu chapéu, cousas que são tuas por uma razão jurídica e legal, mas que, em todo caso, estão fora de ti, como é que não podes vender a tua opinião, o teu voto, a tua palavra, a tua fé, cousas que são mais do que tuas, porque são a tua própria consciência, isto é, tu mesmo? Negá-lo é cair no absurdo e no contraditório. Pois não há mulheres que vendem os cabelos? não pode um homem vender uma parte do seu sangue para transfundi-lo a outro homem anêmico? e o sangue e os cabelos, partes físicas, terão um privilégio que se nega ao caráter, à porção moral do homem? Demonstrando assim o princípio, o Diabo não se demorou em expor as vantagens de ordem temporal ou pecuniária; depois, mostrou ainda que, à vista do preconceito social, conviria dissimular o exercício de um direito tão legítimo, o que era exercer ao mesmo tempo a venalidade e a hipocrisia, isto é, merecer duplicadamente.”

Como exemplo maior, na atualidade, da força evolutiva que a preguiça nos dá, temos o software livre quem prega uma das maiores diretrizes da preguiça: “se já esta feito, pegue use modifique não faça nada do zero” é assim com o software foi sempre assim com todos os tipos de tecnologia uma apoiando-se sobre a outra para alcançar um fim maior!!!!

Se o a ciência, a tecnologia o mundo fazem isso, apoiar-se nos feitos realizados anteriormente, por que eu não posso????

Conhecimento: Meio e Fim.

Sempre existiram muitas teorias revolucionárias na história da ciência, estas diferem na intensidade em que influenciaram o pensamento humano, porem elas sempre tiveram como objetivo a produção do conhecimento e disseminação do mesmo. Partindo dessa idéia iremos fazer um “passeio” pela ciência e sua revoluções, tendo como trilho o conhecimento.

Vai uma idéia ai?

Nossa viagem começa quando o homem, depois de muito observar o mundo ao seu redor, começou a perguntar “por quê” e “como” diante das situações e fenômenos, ate então, incompreensíveis. Feitas estas perguntas, era necessário um meio de obter as resposta, muitos métodos foram elaborados, refinados, solidificados e então quebrados. Tudo isso foi possível graças a escrita, meio este materializado na forma de livros e afins,que possibilitava repassar os conhecimentos descobertos e que futuros trabalhos fossem iniciados tendo como base os anteriores.

Apesar da criação de um volume relativamente grande de conhecimento, este não foi, em grande parte, disseminado, graças a vários motivos que vieram a decair com a grande revolução científica do inicio do século XV. Esta Revolução pode ser vista de quatro vertentes distintas, porem não excludentes, que juntas possibilitaram o surgimento da ciência moderna.

A Primeira foi o renascimento cultural que trouxe como principal característica o Humanismo. Esta corrente pregava a utilização de um senso de critica mais elevado e uma maior atenção as necessidades humanas, no caso o antropocentrismo em detrimento ao teocentrismo vigente graças a igreja e seu dogmas. Isto possibilitou ao homem olhar os fenômenos sem uma serie de preconceitos estipulados pela igreja e principalmente fugir de “explicações” que não tivessem origem no plano terreno.

Ciência X Religião ???

Em seguida temos a impressa, não apenas a inserção de técnicas de reprodução novas , fato este que veio a contribuir de maneira intensa na massificação do conhecimento, pois possibilitava a impressão de vários volumes de maneira rápida e sem erros, mas também a propagação de conhecimento em línguas diferentes do latim e usando uma linguagem acessível não apenas ao estudiosos da área. Esta sim , pode ser considerar a primeira tentativa de democratização de conhecimento pois possibilitava que qualquer um tivesse acesso a documentos contendo o fruto da pesquisa de varias pessoas. Temos como exemplo o livro A origem das espécies de Charles Darwin que teve sua primeira edição esgotado no dia do lançamento.

Temos ainda a reforma religiosa que inseriu uma forma diferente de apreciar a existência de Deus através da ciência, este fato veio a impulsionar o crescimento da pesquisa, pois caia com isso uma grande barreira, a de que ciência e religião não se misturam.

Por ultimo temos o Hermetismo que exaltava uma concepção do universo quantitativa, encorajando o uso da matemática para relacionar medidas e grandezas. Esta mesma matemática que foi disseminada possibilitou a criação de um novo método científico mais critico e principalmente mais formal e rigorosa.

Todos esse movimentos tiraram o conhecimento das mão de um elite, até o momento o clero, e colocaram nas mão de outra, pois apesar de não existirem restrições como antes, ainda havia uma relação de custo e de espaço que precisava ser quebrada. Mesmo com estas barreiras tivemos um crescimento nunca antes visto na ciência que resultou em uma nova era: A Era da Informação. O tempo e o espaço foram comprimidos e com isso o custo. Hoje dispomos de informação sobre demanda, as matéria que antes tinha os átomos como limite de divisão, hoje deixou de ser um meio de guardar o conhecimento, agora ele esta na forma de bits, virtualmente em todos os espaços, possibilitando a colaboração entre as mais variadas pessoas nos mais variados lugares.

Um grande exemplo é o movimento de software livre. Aqui a ultima barreira para o conhecimento cai! Não existe mais uma elite que detém o conhecimento, personificado na forma de software, ele é dinâmico e não tem dono, pela primeira vez o conhecimento é o meio e o fim de algo. Hoje caminhamos para uma nova ordem, onde não se vende mais o conhecimento ele finalmente é universal, desta vez não apenas em teoria e palavras, mas sim em atos.

Como o filho esta sempre destinado a fazer coisas mais grandiosas que os pais. O que podemos espera dessa nova forma de fazer conhecimento? Quais seus limites ? Não são mais dois ou três pessoas trabalhando, e sim, virtualmente o mundo todo e de forma cooperativa. Temos o avanço da robótica que num futuro ira nos libertar de trabalhos braçais, afinal estamos prontos para isso? Toda a nossa cultura foi voltada tendo como base o trabalho, foi um nova religião semeada na nossa mente, que, como os dogmas da idade media, nos impedem de ver o amanhã livre.

Será esse o amanhã?

Será necessária mais uma revolução, uma que mude a nossa forma de ver o mundo, afinal ele mudou. O sol não gira em torno da terra e conhecimento não é propriedade, alguns aceitaram a primeira afirmação rapidamente, outros não. O Futuro esta ai, na nossa porta, como um trem, vestido de conhecimento, cabe a nos decidir se esperamos ou vamos, eu fui.

Liberdade às Criaturas

“Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”, disse Lavoisier. Esta afirmação sempre foi uma verdade, na Física, na Biologia, na Química e em qualquer outra área, porém o homem sempre quis brincar de ser Deus, sempre quis criar algo que fosse seu na essência, algo único, algo que provaria que a afirmação de Lavoisier estava errada. Deste desejo e de inúmeros estudos surgiu uma criatura, perfeita e totalmente feita por homens, todos se maravilhavam da criatura, todos a queriam e todos a tinham.

Liberdade!!!

Começaram a surgir várias dessas criaturas pelo planeta, pois as técnicas usadas para criá-las eram compartilhadas com todos. A criatura era composta de duas partes, uma sem vida porem responsável pela evolução da criatura, e a outra viva. No inicio as duas partes iam juntas a todos os lugares pois assim a criatura poderia melhorar a qualquer momento, mas outros homens, não necessariamente os que a criaram mais ainda assim homens, perceberam o lucro que as criaturas poderiam geram para os mesmos e começaram a aprisioná-las, agora apenas a parte viva poderia circular e ainda assim sob pesadas restrições.

A criatura não evoluía mais do mesmo jeito, agora era imperfeita pois estava sem a parte responsável pelas evoluções, os únicos que podiam fazê-las evoluir eram os que se intitularam “donos”, e os mesmos não foram capazes. No entanto alguns homens que adoravam as criaturas viram que as mesmas agora eram tristes e começaram tentar libertá-las .Estes homens começaram lutar pela libertação das criaturas, e as que fossem criadas por esses homens, seriam livres, poderiam voltar a andar com sua outra parte, mas apenas isso não era o suficiente e percebendo isso começaram a se organizar para além de libertá-las, conscientizar os outros de que as criaturas deveriam permanecer livres que o conhecimento que as mesmas geravam deveria ser de todos, isso não agradou aos “donos”, desta forma disputas judiciais foram e são travadas ate hoje.

A este movimento que anseia a libertação das criaturas foi dado o nome de : “Movimento de Software Livre”.