Verdade Vestida de Verde

Hoje decidi escrever sobre as maldades do mundo, sobre o quanto o homem é seu próprio algoz, sobre como a honra se perdeu ou mudou de cor, sobre como o verde de hoje não é da natureza e cada simples coisa feita, é pensada e repensada com um fim esverdeado.

O sol invade a casa, iluminando cada centímetro dessa caverna, impondo seu esplendor e mostrando um novo dia, um novo caminho, uma nova oportunidade.

Olhos abertos, verdade na cara, a caverna é a mesma, o cheiro é o mesmo, mas o tempo mudou, o tempo cai como um carrasco, dizendo que atrasado significa menos verde e menos verde significa um futuro negro, incerto.

O caminho é longo e, por todos os lados, o mundo insiste em lhe esfregar a verdade na cara, insiste em mostrar as diferenças, as desigualdades, os desejos e as decepções. Ônibus lotado, crianças chorando, o suor brota na pele, assim como o pensamento de que as coisas poderiam ser diferentes, mas não são. A vida é dura, ela não espera, ela não da trégua, ela não te afaga.

Chefe reclama, diz que é o último atraso, que depois desse é rua, mas… o que fazer? Brigar, xingar, bater … calar. É o emprego, eles te colocaram arreios, e te alimentam com capim verde no fim do mês. Eles pegaram seu orgulho, sua força, sua coragem. Juntaram bem, amassaram, cuspiram e lhe ensinaram a baixar, calar e servir.

Dia dura, trabalho duro, comida dura, perguntas e respostas duras. Voltar para casa, consolo, acalento, minha caverna. Lá eu sou rei, lá é meu mundo, minhas regras, minhas vontades, meus desejos. Faço o que quero, sou quem eu quero, tenho quem eu quero, recupero minha coragem, minha força, meu orgulho.

Lembro que a casa de um homem é seu castelo, pelo menos até o fim do mês, até o verde se fazer presente, até lembrar que se o salário atrasar é rua. Não se tira um homem de seu castelo, não, isso não se faz!!!

Melhor acordar, melhor levantar, melhor ir, o verde chama, e não como um capim, que saciava minha fome e me dava força física para enfrentar os problemas. Hoje o verde é pior, ele não alimenta, ele sufoca, te torna dependente, carente, doente, demente.

Droga! Olha à hora, preciso correr, mas um dia e já era, mas uma falta e estou fora, detesto ser mula, mas não quero perder meu arreio. Afinal, tenho que comprar aquela TV.