Três Porquinhos

Todo conto de fadas tem seu final feliz. Mas eles, na verdade, nunca terminam. Suas histórias continuam em ciclos como todas as outras. Nascendo, crescendo, reproduzindo-se, morrendo e renascendo.

Eles não eram mais os mesmo porquinhos bobos do primeiro conto. Suas historias se passam anos após a primeira; logo, eles cresceram. Não apenas em idade, mas em força e coragem. O lobo também não era mais o mesmo. O perigo era eminente, o inimigo conhecido e a lição já fora aprendida. A história havia lhes ensinado e não cometeriam os mesmo erros.

O primeiro porquinho, como bom engenheiro que é, construiu uma casa com os melhores aparatos de segurança: vigilância 24×7, portas com identificação biométrica, janelas a prova de bala, paredes antitérmicas, tudo controlado por um servidor com conexão criptografada. Tudo estava como o planejado até que o lobo conseguiu alguns códigos de acesso e pôs fim ao suíno.

O segundo porquinho, ao saber do acontecido, acionou o sindicado dos porquinhos. Eles fizeram uma assembléia geral e entraram com um pedido de uma ordem de restrição contra o lobo. Vários dos porquinhos envolvidos fizeram lobby junto a alguns juízes e conseguiram a ordem. Misteriosamente, alguns mudaram de opinião, gerando seu cancelamento. Resultado: mais um leitão a pururuca servido.

Enquanto isso, o terceiro porquinho, que trabalha como relações publicas, dá um “curtir” nas recentes peripécias realizadas pelo seu novo melhor amigo. O Lobo mau.

Herói

Quando pensamos em heróis lembramos-nos de quando éramos crianças, em um mundo em que heróis tinham poderes. Hoje todos falam de heróis ate mesmo alguns “jornalistas”. Como já bem dizia Raulzito: “… todo mundo tem que reclamar.”. Eles gritam alto, para que todos vejam, mas não fazem realmente nada.

Quem quer se render primeiro?

Não quero falar de profissões de heróis, como os professores. Esse qualquer idiota que saiba ler/escrever deve perceber a sua real importância. O engraçado é que justamente as pessoas que não sabem ler são as que possuem um maior respeito a esta arte.

Lembro- me da época em que vivia no interior, éramos crianças, com um mundo em descoberta e morar numa cidade pequena é uma benção nessa época.

Era um grupo de garotos indo em direção a um igarapé, talvez apenas para ver a natureza e desfrutar de coisas simples como andar na mata. No entanto encarar o igarapé era uma aventura e garotos amam aventuras.

Um dos meninos entrou na água e começou a se afogar, seu irmão mais velho ao ver isso pensou rapidamente e lançou sua camisa para que o irmão mais novo à segurasse e pudesse ser resgatado. No entanto, o irmão mais velho esqueceu-se de segurar a sua ponta da camisa. Camisa e homem ao mar, sem mais opções o irmão mais velho pulou na água para o resgate, alcançando facilmente seu irmão, e afogaram-se juntos, pois, somente naquele momento o mesmo lembrou que não sabia nadar. Um dos garotos mais velhos entrou na água e salvou os dois que estavam na parte rasa do igarapé.

Após uma rápida recuperação e muita encarnação eles voltaram para casa, cresceram e o irmão mais velho se tornou bombeiro(espero que hoje ele saiba nadar). Foi naquele momento na beira do igarapé que nasceu o herói.

Ser herói é simplesmente não fechar os olhos. É usar tudo que temos, e algumas vezes o que não temos, para ajudar quem precisa ou para ir contra aquilo que achamos errado. Hoje aprendemos a ignorar as coisas, a nos calar, a permanecer na mesmice, na normalidade.

Não acredito que foram nossos educadores que nos ensinaram isso. Então acorde, levante, abra os olhos e faça a diferença pois fechá-los é o mesmo que morrer.

Terra do Sempre

Ele acordou um dia e decidiu que não queria crescer, que queria sempre ser criança, brincando, correndo e se divertindo. Disse que seria um Peter Pan nesse mundo cheio de conceitos tradicionais, que não iria casar, ou melhor, que não podia casar. Disse que não queria ter filhos, nada de responsabilidades.

O sonho se torna realidade.

A vida seria uma eterna brincadeira com suas idas e vindas. Sempre livre para sonhar. Sempre livre para fazer o que quiser, sem preocupações com o amanhã. Dormir onde e quando quiser, sentir o que quiser. Ninguém lhe colocaria arreios e o obrigaria a se encaixar nesses padrões chatos.

De tanto procurar ele achou sua Sininho. Achou sua fada que iria guiá-lo em seus sonhos. Não para a terra do nunca, mas para a terra do sempre. Agora, eles não eram sonhos de menino, pois sua fada era real e os tornavam realidade. Eles podiam voar juntos por praças, bosques, praias, pelo mundo. Sua fada o ensinou que crescer não é ruim. Que ele teria que fazer coisas que não gostava, mas que não podia parar de sonhar e acreditar nela.

O tempo passou, o menino cresceu com a fada ao seu lado. A fada pensava que ele cuidava dela, mas na verdade era ela que cuidava dele. Mantendo a chama acessa, mantendo sua mente sã, mantendo-o feliz.

Já é manhã, o antigo menino tem que ir trabalhar. Ele se despede de sua fada com um beijo carinhoso. Ela o olha nos olhos, ainda consegue ver o mesmo menino sonhador e diz:

_ Tchau papai.