Ue

Ele acordou naquela manhã e saiu. Seu nome era Ue. Aquela manhã era a manhã de seu batismo. Não o batismo religioso, mas o dia em que Ue recebeu seu nome. Mais ainda, aquele era o dia do seu nascimento.

Ele olhou o mundo pela primeira vez. Uma cidade desconhecida. Uma rua nunca vista. Mas não entendia como tudo aquilo parecia tão familiar. Não entendia como já nasceu com lembranças e como já nasceu grande.

Ele não se importou com as dúvidas e aproveitou sua vida. Construiu uma amizade. Seu amigo não queria saber do passado apenas se importava com ele. Em compartilhar momentos com ele. Isso era suficiente. Então decidiu fazer o mesmo. Saíram juntos e conheceram aquelas ruas novamente. Criaram histórias. Criaram o mundo.

Nunca conheceram os pais um do outro. Nunca precisaram disso. Eles tinham os passeios de bicicleta, a escola e os jogos. As primeiras experiências. Os primeiros medos. Tudo foi enfrentado sempre juntos. Amigos inseparáveis

Cresceram juntos. Desafiando os perigos. Aprenderam a ler juntos e viajaram por terras distantes. A noite quando o medo os dominava tinham a mão um do outro para segurar. Quando as tristeza os dominava tinham ombros para chorar.

Um dia Ue acordou e seu amigo não estava lá. Olhou em todas as direções. Gritou. Chorou. Tentou se mover mas estava preso. Trancado. Traído pela única pessoa que amou. Ele se agachou, sozinho em um canto escuro, e lamentou o dia em que a imaginação de seu amigo o criou.