Empatia

Era uma tarde como outra qualquer. Pegou um cigarro e acendeu. Puxa. Solta. Respira. Ele fumava embaixo de uma arvore. Solitariamente ele apreciava a beleza da natureza, o vento o sol, o mundo.

Subitamente ele sentiu uma dor entre os dedos. Olhou para baixo e viu que uma formiga o mordeu. Inclinação para baixo, um dedo estendido, uma pressão, um amasso e o incomodo estava morto. Olhou e viu o corpo inerte. Um ato automático e uma vida se foi.

Ele parou por um momento e pensou: “Por que a matei?” A resposta veio rápida: “Ela me machucou!!!”, pensou novamente e isso não parecia uma justificativa para tirar uma vida. Pensou nas muitas pessoas que o machucaram por tantos anos, de maneira pior que essa formiga, e que ele nunca havia matado.

Após muita reflexão percebeu que matou a formiga porque ele tinha o poder para fazê-lo. Nesse momento pensou nas pessoas que possuem poder sobre outras. Sentiu medo e vergonha de si mesmo. Olhou mais uma vez para o corpo e percebeu que não importava o poder que ele tinha ele não podia trazê-la de volta.

Acordou assustado. Um sonho, foi apenas um sonho. Passos podia ser ouvidos lá fora. Abriu os olhos, levantou suas pequenas patas e se juntou as outras formigas.