A Dança

Ele levantou a espada e olhou seu oponente. Do outro lado era uma mulher que empunhava a espada. Ela era mais fraca e menor que ele, porem com aquele tipo de espada nada disso importava.

Ele olhou para a espada reluzente, afiada e sedenta por sangue. No entanto, quando viu seu reflexo, viu seu rosto pálido e o medo enraizado em seus olhos, cravado fundo em sua alma. Além do medo que era compartilhado por ambos, a sede os dominava.

Eles começaram a dança. Uma espada toca a outra, cada ataque é repelido, cada golpe é desviado. Aquela não era a primeira vez que eles se enfrentavam. Cada um já aprendeu a ler o outro com o tempo. Os golpes eram previsíveis, eles eram quase um espelho. A sincronia era tão boa que fariam um belo casal, se não fossem aquelas espadas.

Ele usa seu alcance maior e consegue ganhar terreno. Ela esta visivelmente cansada, pressa em um canto, quase indefesa. Ele se prepara para o golpe final. Entretanto, seus olhos se cruzam e neste momento ele enxerga a pequena menina que se esconde dentro daquela armadura.

Foi um segundo, o tempo de um piscar de olhos. Quando ele hesitou ao ver a menina. Ela desferiu um golpe certeiro e firme no coração do oponente. O sangue banhou a espada e as forças dele falharam. Ela viu as lágrimas em seus olhos e percebeu que ele se conteve. Ela o segura, retira a espada e com um beijo cura a ferida.

Esta noite a luta terminou na cama, com dois animais se amando, ardendo de desejo. Eles se olham e não entendem como ainda usam as espadas. Ela dorme no seu ombro. O coração esta curado, mas um pedaço da espada sempre fica lá dentro, crescendo e consumindo, esperando pelo próximo golpe.