La Seine

Apreciar o por do sol na beira de um rio, um lanche com os amigos, uma conversa sem compromisso. Quanto vale essas experiências?

         Viajar como hippie é bom…               mas com o cartão de crédito no bolso.

Naquela tarde cada um tinha uma história, cada um tinha um motivo para estar lá. Para a maioria deles, aquela era a primeira vez que se viam, mas por alguma razão tudo era tão mágico.

Os amigos o chamaram para o picnic. Era só passar no supermercado e comprar algo para beber, algo para comer e o resto era o calor humano. Todos se reúnem, cada um traz o que gosta. Uma apresentação rápida e todos começam a conversar. Tudo é novo, tudo é uma desculpa para outro papo.

Comida e bebida rolando. Os comentários são variados: eu gosto desse queijo; esse patê é bom; prova o pão; esconde o vinho a polícia tá passando. Tudo acontece naturalmente, comida, bebida, conversa e música.

Alguém pega os instrumentos e o batuque começa! Samba das antigas, lembranças de uma terra distante. A alegria contagia e o sol parece dançar. Seu reflexo nas águas adquire o movimento do rio e sua luz se esconde candidamente.

Como crianças ele comeram, conversaram, beberam e se conheceram. Como crianças eles esqueceram seus problemas e partilharam a felicidade das coisas simples. Dinheiro não compra aquela conversa, não compra aquele momento, não compra aquelas amizades. Mas, ainda assim, ele te leva pra sofrer em Paris.

Cavalos e Ratos

Sempre, nas histórias dos contos de fadas, o personagem principal é mostrado e todas as transformações acontecem ao seu redor. No entanto, outros personagens estão nessas histórias e aquele conto também pertence a eles.

Vitruviano???

Lembro-me da Cinderela, abatida e sofrida, que teve seu desejo realizado indo ao baile em uma carruagem feita de abóboras e com sapatinho de cristal para encontrar o príncipe encantado. Pois bem, essa história não é sobre ela e sim sobre quatro ratinhos e um cavalo. Estes, coadjuvantes na história da Cinderela, convertidos em personagens principais em seu próprio conto de fadas.

No momento que a fada realizou a mágica, os quatro ratos foram transformados em cavalos que iriam levar a carruagem. Os quatro animaizinhos, sempre descritos como fracos e pequenos, se escondendo e acima de tudo sendo odiados pelos humanos, naquela noite viraram animais grandes, bonitos e foram admirados.

O cavalo, sempre acostumado a carregar, puxar, apanhar e obedecer, foi transformado no chofer e pela primeira vez pode guiar. Pode escolher o rumo. Seus olhos podiam se embrenhar em todas as direções e escolher o melhor caminho, não apenas para si, mas também para os quatro ratinhos transformados em cavalos. Agora era ele quem mandava, mas sua vida já o havia ensinado a humildade, logo, ele mandava consciente da força e fraqueza dos outros quatros.

Esta noite foi mágica para mais de um ser. Diria que as mudanças dos animais foram mais importantes que a mudança de Cinderela, pois a mudança de perspectiva nos traz novos horizontes e novos desafios.

Afinal, quanto vale uma noite de sonhos?