Amantes à moda antiga

Eles se conheceram em uma festa. Foi uma questão de fogo, depois a conversa e por fim a dançar. Mãos, braços, pernas e respiração em uníssono. Eles sabiam que aquele não era o lugar dele, muito menos o dela, mas enquanto giravam e descobriam um ao outro aquele passou a ser o lugar eternamente deles.

Essa beleza é relativa?

Essa beleza é relativa?

Uma, duas, três… incontáveis danças. A noite continuava em sua embriaguez de corpos e almas. Quando os corpos paravam as almas continuavam a sonhar, a tocarem-se e a se descobrirem.

A mudança de ambiente era inevitável, assim como o amanhecer. A luz que batia nos olhos dela era de um brilho diferente, não, ela que era diferente e transformava as coisas ao redor.

Eles finalmente se deitam e iniciam outra dança. Eles marcam o corpo um do outro. Eles machucam um ou outro. Eles sentem um ao outro.

Uma noite se transformou em dia e um dia se transformou em outro. Eles haviam visto o nascer do sol e agora viam sua passagem novamente. Vento, areia, água e lembranças.

Um passeio pelas diferenças para encontrar as semelhanças, sejam na língua, nos pensamentos, na solidão e no egoísmo. Tudo era um encaixe. Tudo uma desculpa para outra conversa ou outro beijo.

O momento da despedida chega. Eles haviam desenhado uma história, curta em tempo mas grande em sentimentos. Eles marcaram um ou outro uma ultima vez e se separaram. O pincel para um lado e a tela para o outro.