Olhos

    Qual era a cor dos olhos dela? Tento mas não consigo lembrar, sempre acabo me perdendo em um mar de possibilidade, em diferentes vertentes, em diferentes pontos de vista que sempre me levam a mesma pessoa.

    Lembro de olhos azuis como o céu, calmos e enigmáticos. Eles eram ao mesmo tempo tão serenos que me faziam querer permanecer no silêncio deles e tão amplos e profundos que faziam em me sentir pequeno e perdido… mas ainda assim em casa.

    Alguma vezes vi olhos verdes, cheios de esperança e sonhos. Olhos verdes como esmeraldas, olhos que me diziam “siga”, “vá” ou melhor ,“venha”. Era olhos naturais, olhos sem maldades,olhos que pareciam um sonho, pareciam como portas, pelo qual eu podia ver sua alma nua.

    É estranho, mas eu também vi olhos vermelhos, como de um animal, olhos de desejo, olhos de sede, olhos famintos. Mas eram olhos que tinham raiva, eram uma mistura de algo como um criança que quer o que não pode ou que tem o que não quer.

    Uma outra cor me chamou atenção, olhos castanho escuro, era quase como uma sombra, eles estavam lá escondidos, pareciam olhos de medo, olhos que não me deixavam entrar, olhos que sabiam que aquele não era o meu lugar, ou que pelo menos assim o queriam.

    Despertei sozinho na cama, sem olhos para olhar, pensando se aquilo foi um sonho. Não consigo lembrar a verdadeira cor dos olhos dela, mas lembro do cheiro. Era algo doce, algo apenas dela, guapa.

Têm fogo?

Fim de festa, ultimas despedidas, mais uma vez minha cabeça me prega peças, me prometo não beber mais daquela maneira. Incrível que sei que estou mentindo.

Saiu do ambiente, tenho que ir pra casa, são 4 da manha, o horário perfeito pra ter ideias estúpidas, descido ir andando para casa. Cabelo despenteado, roupa suada, pouco dinheiro na carteira, um cigarro na orelha. Tiro a camisa e começo a caminhada. Vejo as pessoas ainda nos bares bebendo, entro em ruas pouco movimentadas, um fio de sobriedade passa pela minha cabeça: O que estou fazendo aqui?

Caminho longo, perigos possíveis, já vejo pessoas esperando o ônibus, bem que eu poderia pegar um. Não, vou manter minha caminhada, chegar até meu castelo com minhas próprias pernas, enfrentando o perigo, as adversidades e principalmente o bom senso.

Após 30 minutos de caminhada já estou perto de casa, entro na praça que é meu último obstáculo, uma praça linda, arvore, luzes, história. Começo a andar por aquelas calçadas que já haviam visto tantas coisas, tantas vidas, tantos anos e penso como somos efêmeros.

Continuo a caminhada, meio da praça, olho a frente, três caras veem na minha direção, que droga penso eu, justo agora, depois de nadar tanto vou morrer na praia. Eles se aproximam, todos vestidos de preto, me pergunto o que fariam aquela hora na praça, na verdade eu já sei, só não queria aceitar. Perigo eminente pego minha camisa e coloco no outro ombro, tiro o cabelo do rosto e pego o cigarro que estava na minha orelha. Vou fazer minha aposta.

Eles continuam em minha direção, três metros de distancia, começo a falar com o cigarro na mão:

_ Irmão, têm fogo?

Eles me olham meio assustados, dão um passo para traz e balbuciam meio temerosos:

_ Agente nããão tem nada.

Eles saiam quase que correndo com medo que os assaltasse. Saiu rindo, com o cigarro na orelha novamente e me perguntando: Quando foi que nos tornamos tão covardes?

Eterno amigo

    Você olha, ela olha de volta. As pessoas ao redor não importam, nada mais importa, assim começa uma loucura que só poderia acabar em dor. Depois de tanto tempo juntos os mesmo olhos hoje olham para caminhos diferentes. Só queremos saber o que é preciso para curar um coração.

Tempo passa devagar

    As drogas sempre são o primeiro, pode não ser necessariamente o álcool, mas algo que nos entorpeça que nos leve para outra realidade, que nos faça esquecer desse inferno. Para alguns é o jogo, para uns a bebida e para outros a religião. No final, todos têm um rota de fuga, um local onde tentamos esquecer quem somos, ou melhor, quem tivemos.

    O fogo é o segundo. O que é melhor que uma paixão pra curar um amor “antigo”? O problema é que não estamos preparados para qualquer relacionamento. Queremos diversão, sexo, prazer, ter bons momentos, mas… ai entra um pequeno problema: A outra pessoa sabe disso? Ela saberá lidar com isso?

    O terceiro é o tempo. Ah o tempo, nosso eterno inimigo e nosso eterno amante. Ele avança de maneira feroz, dia após dia, sem descansar, sem piedade, levando o que temos de mais precioso, nossas oportunidades.

    Ainda assim, ele é nosso amigo, pois de fato é ele que cura nossas dores, ele que nos ensina a levantar, caminha e viver. Ele nos faz esquecer, superar, e quem saber novamente aprender a amar.

    Tempo maldito, como te odeio e como te amo!!!

 

Comportamento Geral

    Em 1859 ocorreu um marco para o entendimento dos seres humanos, foi lançado o livro A origem das espécies de Charles Darwin. Neste livro foi apresentada uma explicação sobre as transformações que ocorrem nos animais do decorrer dos tempos. Esta explicação se chama Seleção Natural.

A velha briga.

Basicamente, quanto maior for a variedade de indivíduos, maior é a probabilidade do aparecimento de uma característica que faça com que um desses indivíduos se sobressaia. Além disso, a pressão gerada pelo ambiente sobre os seres vivos representa uma das principais causas da evolução, sendo que ambientes hostis e instáveis impulsionam o processo evolutivo, uma vez que selecionam fortemente apenas a sobrevivência dos mais aptos.

    Nosso ambiente, ou melhor, as dificuldades impostas pelo ambiente é um dos maiores fatores de evolução. Neste ponto que o ser humano passa a perna na evolução. Nós não nos adaptamos ao ambiente, nos adaptamos o ambiente as nossas necessidades. Com isso nós deixamos de criar indivíduos biologicamente fortes.

    Um exemplo simples, o excesso de sol causa câncer, logo com o tempo pessoas com pouca proteção iriam começar a morrer de câncer e as com maior proteção viveriam e iriam gerar descendentes que poderiam ter uma maior proteção ao sol, gerando dessa forma uma nova parcela da população que já seria biologicamente resistente ao ambiente. Mas… Somos humano, não podemos deixar que pessoas morram apenas para que possamos evoluir. Usamos de nossa genialidade e criamos o protetor solar. Agora todos podem continuar a viver de forma justa, sem que um seja melhor que o outro, biologicamente falando. Claro que nossa noção de justiça vai até um ponto em que não nos incomode. O fato é que aprendemos a dobra o ambiente.

    Mas me pergunto se a evolução é apenas biológica ou pode ser psicológica? Se psicologicamente podemos evoluir, iríamos sofrer dos efeitos da seleção natural também. Ou seja, o meio ambiente iria nos forçar a evoluir fazendo com que os indivíduos mais aptos sobrevivam. Obviamente, a variedade de indivíduos tente a produzir um resultado melhor para a sociedade como um todo.

    Mais uma vez, os seres humanos acham de modificar o comportamento natural das coisas. Vivemos em uma sociedade que molda as pessoas, que lhe diz como você deve viver, o que você deve escutar, o que você deve vestir e o que você deve gostar. Basicamente, matamos todas as diversidades, os indivíduos fora da curva, que iriam possivelmente dar um passo na evolução, são excluídos e forçados a se encaixarem no Comportamento Geral, como dizia Gonzaguinha.

    Vivemos em um mundo onde a mídia nos impede de evoluir, pois ela nos priva da possibilidade de ser o ponto fora da curva. Você pode mudar seu cabelo, para um que esta na moda agora. Pode gostar de bandas com garotos de cabelos coloridos, pois essa é a moda. Você pode fazer tudo que quiser, desde que esse tudo esteja no que foi imposto como normal.

    O estranho é que todos querem ser especiais, mas ninguém quer ser diferente.

Tempos Modernos

“…quanto do teu sal são lágrimas de Portugal, por te cruzarem…”. Tempos passados, perigos diferentes, distâncias maiores, mas a ausência é a mesma.

Hoje navegamos sem sair de casa., visitamos outros países, outras línguas, outra cultura, tudo de forma segura, fisicamente falando. Podemos ter “amigos” em todas as partes do mundo e falar com eles o tempo todo. Estamos, virtualmente, vivendo uma sociedade sem fronteiras, mas no final vivemos em uma solidão coletiva.

Um novo mundo

É uma coisa estranha, inventamos os meios de transportes para diminuir as distâncias, evoluirmos nossos meios de comunicação até chegar nessa coisa instantânea que temos hoje, nada de espera um mês ate a carta chegar ao destino. Porem algo foi perdido no meio do caminho, pois criamos ilhas onde cada um se esconde, onde cada um se alimenta, onde cada um vive, mas virtualmente estamos juntos.

Engraçado o quanto somos bonitos, inteligentes, divertidos e autoconfiantes na rede. Ela parece um espelho , não por mostrar nosso reflexo perfeito, mas por mostrar exatamente o contrario de como somos. Se me movo para a direita, meu reflexo vai para a esquerda. Se sou tímido, na rede sou “O” descontraído, adiciono todos, mando mensagens para todos, comento sobre tudo, lá sou um Super-Homem.

Ôpa, mais uma mensagem!!! Hoje a noite vai ser longa, muitas listas, muitas comunidades, muitos amigos. Só estou esperando pela invenção que vai permitir sentir fisicamente através da rede. Ai quero ver qual vai ser o mundo real.

Verdade Vestida de Verde

Hoje decidi escrever sobre as maldades do mundo, sobre o quanto o homem é seu próprio algoz, sobre como a honra se perdeu ou mudou de cor, sobre como o verde de hoje não é da natureza e cada simples coisa feita, é pensada e repensada com um fim esverdeado.

O sol invade a casa, iluminando cada centímetro dessa caverna, impondo seu esplendor e mostrando um novo dia, um novo caminho, uma nova oportunidade.

Olhos abertos, verdade na cara, a caverna é a mesma, o cheiro é o mesmo, mas o tempo mudou, o tempo cai como um carrasco, dizendo que atrasado significa menos verde e menos verde significa um futuro negro, incerto.

O caminho é longo e, por todos os lados, o mundo insiste em lhe esfregar a verdade na cara, insiste em mostrar as diferenças, as desigualdades, os desejos e as decepções. Ônibus lotado, crianças chorando, o suor brota na pele, assim como o pensamento de que as coisas poderiam ser diferentes, mas não são. A vida é dura, ela não espera, ela não da trégua, ela não te afaga.

Chefe reclama, diz que é o último atraso, que depois desse é rua, mas… o que fazer? Brigar, xingar, bater … calar. É o emprego, eles te colocaram arreios, e te alimentam com capim verde no fim do mês. Eles pegaram seu orgulho, sua força, sua coragem. Juntaram bem, amassaram, cuspiram e lhe ensinaram a baixar, calar e servir.

Dia dura, trabalho duro, comida dura, perguntas e respostas duras. Voltar para casa, consolo, acalento, minha caverna. Lá eu sou rei, lá é meu mundo, minhas regras, minhas vontades, meus desejos. Faço o que quero, sou quem eu quero, tenho quem eu quero, recupero minha coragem, minha força, meu orgulho.

Lembro que a casa de um homem é seu castelo, pelo menos até o fim do mês, até o verde se fazer presente, até lembrar que se o salário atrasar é rua. Não se tira um homem de seu castelo, não, isso não se faz!!!

Melhor acordar, melhor levantar, melhor ir, o verde chama, e não como um capim, que saciava minha fome e me dava força física para enfrentar os problemas. Hoje o verde é pior, ele não alimenta, ele sufoca, te torna dependente, carente, doente, demente.

Droga! Olha à hora, preciso correr, mas um dia e já era, mas uma falta e estou fora, detesto ser mula, mas não quero perder meu arreio. Afinal, tenho que comprar aquela TV.

Ca(n)sei

Cansei de tudo isso,
Desse mundo falso,
De pessoas dizendo A e fazendo B.

Cansei das pequenas coisas,
Das pequenas mentes,
Pequenas conversas, lixo.

Cansei de estar não estando,
Cansei do falar sem pensar,
Cansei das pessoas.

Cansei desses seres burros,
Que só vem o bem quando já passou,
Que só honram os mortos.

Cansei de fazer o que me mandam,
De procurar e não achar,
De não aproveitar o presente.

Cansei de estar só,
Casei, pra estar acompanhando
Casei, para arrumar a vida.

Casei pra expulsar a solidão da alma,
Para viver os momentos a dois,
Para estar de acordo com a sociedade.

Casei para ser normal,
Para ter um lugar de retorno,
Para ter alguém me esperando.

Casei e cansei,
Cansei de não ser eu,
Cansei da falta de liberdade,

Descasei pra ser livre,
Pra ver o sol nascer de diferentes lugares,
Pra ter diferentes amores.

Descasei para ver as cores,
Para escutar os sons,
Para conversar comigo.

Vivi, cansei,
Cansei, casei,
Casei, cansei,
Cansei, descasei,
Descasei, vivi.

Quero

Eu gosto das duas,
eu quero as duas.
Quero a que me faz carinho,
e a que fica me chateando.
Quero a que é toda romântica
e a que fica resmungando.
Quero a garota inteligente,
e a que é tão estável quanto a água.
Quero a sincera, que me “fala tudo”,
e a que não vem em casa porque passou mal.
Afinal quem eu quero é você.

Bom Dia!!!

No momento em que criarmos uma verdadeira I.A., falo de algo real e não as brincadeiras de crianças que temos hoje, significa que já estaremos superados.

"Mais humano que os humanos - é o nosso lema." {Blade Runner}

Este ser terá acesso a todo o conhecimento humano produzido até então e poderá melhorar-se, tornando-se cada vez mais inteligente e em pouco tempo todos os nosso bilhões de cérebros humanos serão ultrapassados por esse novo ser, e nem juntos poderemos superar sua capacidade de criação e de planejamento.

Depois disso, a IA estaria em todo lugar, podendo, nos substituir em praticamente qualquer atividade. Caímos em algumas perguntas crucíais: O que algo verdadeiramente inteligente faria conosco? Nosso bem? Nosso mal? Afinal o que é bom para nós?

Algumas visões possível já foram retratadas em filmes como I.A. baseado no conto upertoys Last All Day Long (escrito por Brian Aldiss). Nele existe uma inteligência artificial independente e consciente de sua própria existência. Temos uma IA que tenta ajudar os seres humanos, indistintamente de seus erros cometidos, ou seja algo que seria bom, mesmo vendo que fazemos coisas não tão sensatas.

Outra possibilidade é retratadas pelo filme O Homem bicentenário, nele o robô vai apresentando traços característicos do ser humano, curiosidade, inteligência e personalidade própria. Neste, podemos ver a IA tentando se tornar um humano, deixando sua própria existência de lado em favor de algo que ele considera melhor, ou seja, simplesmente viver como um humano.

Na sua obra, I, Robot (1950), Isaac Asimov fala de um mundo onde robôs terão inteligência própria. Porem através de um processo lógico a IA decide que os seres humanos precisam ser protegidos deles mesmo. Optando por aprisioná-los na tentativa de mantê-los vivos.

Qual visão esta certa? Lembro que nos desenhos alguns vilões tentam exterminar a raça humana, para então criar um mundo sem os problemas que temos, seria essa a coisa mais lógica? Nossa moral diz que não, mas o que é a moral senão uma desculpa para proteger os fracos?

Prometeu nós deu algo único e ate hoje não aproveitamos, nossa melhor característica é nossa maior fraqueza, a mesma ambição que nos motiva é a que nos cega. Me pergunto se estamos prontos para nosso avanços? Falamos em viagem no espaço, em criar robôs, células troncos, nano-tecnologia, mas ninguém se preocupa em dizer bom dia ao motorista.

O que importa?

Ando querendo mais do que posso
Vendo mais do que existe
Falando mais do que penso.

Ando perdido em pensamentos
Vivendo em tormentos
Esperando momentos.

Acordo, não entendo
Durmo, não percebo
Sonho e não lembro.

Tudo se mistura,
Tudo se confunde,
Nada me acalma.

A vida passa,
Não me abraça,
Não me leva.

Em algum lugar do passado me perdi,
Em algum lugar de minha própria história.
Como posso não ser o personagem principal,
Como posso?

A luz que me guia é a mesma que me cega,
A música que me alegra é a mesma que me entristece
A água que sasseia é a mesma que me afoga.
O remédio que me cura é o mesmo que me mata,

A palavras falam comigo,
Elas querem algo, querem me mostrar algo
Algo que esta tão próximo,
E tão distante.

Tenho que fechar meus olhos,
Para ver além deles.
Tenho que fechar meus ouvidos,
Para escutar os sussurros.
Tenho que esvaziar a mente,
Para pensar no que importa.

Mas o que importa?