Bicho de Sete Cabeças

Primeiro é uma afago, um sussurro, um sorriso. Ela chega já intimidando, mas ao mesmo tempo te fazendo se sentir em casa. É um arrepio estranho e um prazer indescritível a cada carícia. Não existe um ápice, não existe o momento culminante do gozo, tudo é um grande orgasmo.

Você tenta separar as coisas, para aproveitá-las de maneira sutil, mas ela é arrebatadora. Ela te põe no chão, te joga lá embaixo. Mas, de repente, você  percebe que esse chão é o céu. Não há palavras, bocas fechadas, ouvido atento. A pele sente o gosto, mas pode o som ter um gosto?

Após muito esforço você consegue ficar de pé e olhar com mais profundidade para ela e separar cada parte. Você se vê tocado por mil mãos, cada uma com um movimento diferente, indo a direções diferentes, mas todas lhe dando prazer.

Olhos fechados, imaginação em ação. Altos e baixos. Rápido e lentamente. O conjunto é harmônico. Mãos invisíveis lhe carregam e você é transportado para outro plano. Onde o seu corpo não existe, ou melhor, onde ele não precisa existir.

Os demais sentidos são abandonados diante da superioridade de apenas um. Sozinho ele é capaz de fornecer tudo que precisa. Cada pedaço é saboreado, com um gosto, uma textura um cheiro, uma cor única. Finalmente você se rende, perante a grandeza, delicadeza, beleza e magia de uma única canção.

Obs -> leia novamente escutando Bicho de Sete Cabeças