Canção da tristeza

Ele sabia onde estava e o perigo que estava correndo. Ali ele era um alvo, não sabia exatamente o motivo mais a guerra já se arrastava por muitos anos. Ele toma todos os cuidados e chega até seu objetivo, um local mais afastado, com vegetação mais alta onde ele poderia se alimentar em segurança. No entanto lá o inimigo o avista e o captura.

                                                       Sou livre?

Ele é levado até as instalações inimigas onde é posto em uma cela sobre vigilância. Ele nunca havia tido contato com o inimigo. Nunca havia conversado com eles e nunca soube de alguém capaz de entender seu idioma primitivo. Ele tentou se comunicar, mas sem sucesso.

Eles o mantiveram encarcerado e alimentado. Não tentaram tortura-lo para obter informações, nada. Isso o atormentava, pois ele já estava lá ha dias e nada acontecera. Ele começava a pergunta-se qual seria seu futuro. Dias se transformaram em meses e a dúvida o atormentava.

Um dia cansado e triste com sua situação atual, ele se lembra de algo de sua infância, uma canção triste e começa a entoa-la. Cada nota era um aperto no coração, uma lembrança de casa, a dor pela falta dos companheiros. Ele juntou tudo e sua tristeza invadiu o ambiente na forma sonora.

Repentinamente, algo estranho aconteceu. Ele percebeu que seus captores o fitavam maravilhados. Eles não pareciam entender a canção, mas pareciam perceber o sentimento. Os olhos deles se enchiam de lágrima e por um momento uma conexão foi criada.

Os dias foram passando e mais atenção ele recebia quando cantava, mas isso foi tudo. Ele cantava e eles olhavam, o alimento continuava vindo, mas apenas isso. Ninguém falava quanto tempo o deixariam ali ou se existiam planos. Sua cela e sua canção eram as únicas coisas que ele tinha.

Os meses se transformaram em anos. A tristeza em angustia. Ele não conseguia mais comer. Não conseguia mais beber. Cantar não o alegrava. Sua memória o traíra e ele já não sabia mais os nomes dos filhos. E ele chorou como criança sozinha e com medo.

Seus olhos miraram o céu pela ultima vez, ele amaldiçoou aqueles que o separaram de sua família. Seu maior ódio era pelos sorrisos nos rostos deles enquanto ele cantava com toda a tristeza do seu coração.

Na cela ele cantou mais uma vez e sua ultima nota ecoou juntamente com o seu ultimo bater de asas.

Efemérida

Ela acordou sabendo que morreria naquele dia, ninguém disse isso para ela, simplesmente ela sabia que estas seriam suas ultimas 24 horas. No entanto, isso não a deixou triste, na verdade, esse fato fez com que ela aproveitasse ainda mais cada momento.

“O passado é história, o futuro é mistério, o hoje é uma dádiva, por isso é chamado de presente.”

No começo ela estava um pouco apreensiva de fazer novas amizades, pois sabia que iria morrer rapidamente. Ela pensou, pensou e finalmente lembrou que não era a quantidade de tempo passado com as pessoas que importava, mas o como passamos esse tempo, uma boa conversa, um abraço, um carinho. Essas são coisas que valem no presente, no hoje, no seu ultimo dia.

Ela se perguntou quanto tempo ela havia perdido se escondendo, com medo de viver, pensando em um futuro que nunca chegaria. Amaldiçoando o ontem e sonhando com o amanhã enquanto o hoje passava. Mas isso não importava mais, não hoje.

Ela experimentou novas cores, sabores, cheiros e sensações. As coisas pareciam adquirir um valor diferente, únicos e maravilhosos. Ela se perguntava se esses valores eram pelo fato de ela saber que sua vida acabaria junto com o dia e que não haveria novas chances de experimentar.

Ela estranhou a maneira como as outras pessoas olhavam para ela. Elas olhavam como se ela estivesse exuberante. Isso era novo para ela. Seu sorriso era novo, seu olhar era novo, tão novo que ela não sabia dizer qual olhar mudou primeiro, o deles ou o dela.

O fim do dia trazia consigo o fim de sua vida. Ela pode compreender algumas coisas e se sentiu agradecida pela metamorfose. Bateu suas asas pela ultima vez e caiu na escuridão sorrindo.

Jardim

Eles olhavam para o jardim e apreciavam suas cores e formas enquanto colhiam sementes. Ela dava as ordens e ele obedecia. Ela olhava uma e dizia: “Pega aquela papai.” e ele ia. Esta era a ordem mais doce que ele jamais recebera.

                    “Somos poeira de estrelas.”{Carl Sagan}

Ela olhou para as flores e lembrou-se das fadas que cuidavam dos jardins, de como elas faziam o jardim ficar lindo e perguntou para o pai a que horas as fadas cuidavam do jardim, pois ela nunca as via.

O pai disse para a filha que aquele jardim específico não era cuidado por fadas, mas que o cosmos todo fazia com que o jardim fosse tão belo. Ela não entende direito e pergunta quem regava as plantinhas, para elas não morrerem de sede. O pai diz que as plantinhas vão crescendo aos poucos e a raiz vai mais fundo na terra procurando novos locais de onde pegar água.

Ela ainda não satisfeita pergunta quem colocava o perfume nelas. O pai diz que a planta cria seu perfume para fazer com que os animais venham até ela e a ajudem a criar novas plantinhas em outros lugares.

Ela começa a entender, mas ainda queria saber quem dava comida pra elas então. A resposta veio mostrando a relação do sol e solo com a planta e todo o trabalho necessário para que ela cresça forte e bonita. Nada era dado a ela, a planta tinha que gastar energia para conseguir energia.

Ela ainda meio triste por não existirem fadas naquele jardim vai dormir e sonha com as plantas trabalhando duro o dia todo. Acorda, corre e vai para o jardim. Fica por um tempo apreciando o jardim, suas cores, sons, cheiros e formas.

Ela pega com folha da planta com o maior cuidado. Ela nunca entendia porque falavam para ela não machucar os outros, sempre falavam que era errado, mas nunca explicavam como aquilo era errado. Mas ao olhar para planta e lembrar todo o trabalho duro que a planta teve pra chegar ate ali ela entendeu o cuidado que se deve ter com uma vida.

Ela sentiu os perfumes, pensou o quanto ela gosta do cheiro e lembrou-se da relação entre o cheiro e a possibilidade de criar novas plantinhas em outros lugares e entendeu por que aquele cheiro era bom pra ela.

Os sons que ela ouvia e as cores do jardim eram produto da interação de uma serie de elementos pequenos no jardim, cada um fazendo sua parte e ajudando um ao outro, pois assim todos podiam progredir, as fadas não precisavam fazer nada ali, cada um era a fada do outro.

Ela deu um sorriso e ficou feliz por poder apreciar as duas belezas do jardim. A beleza aparente e a mais profunda que explicava como o jardim crescia e o papel de cada elemento.

Ela levantou os olhos e olhou para o mundo, baixou novamente e olhou para o jardim. Levantou mais uma vez os olhos e viu o mundo e deu um sorriso.

Ela começava a ver a beleza do mundo sem as fadas.

Amanhã?

Ele acordou de uma maneira diferente. Lembrou do sonho da noite passada, lembrou do filme que viu e não queria que sua vida fosse a mesma coisa de sempre. Finalmente decidiu mudar e fazer o que realmente queria, sem se importar com as grades sociais que o impediam de viver seus sonhos.

Nossa grande guerra é uma guerra espiritual. Nossa grande depressão é a nossa vida.{Fight Club }

Ele não foi ao trabalho, quis sair pra conhecer aquela parte da cidade que sempre passava em sua mente, como um lugar interessante, mas nunca como uma memória. Aproveitou cada passo, cada vista e pode apreciar os detalhes que a cidade escondia.

O andar pelas ruas era diferente, ele sentia as outras pessoas diferentes. Ele sentia que depois daquela noite ele não poderia voltar a ter o mesmo comportamento, que não poderia se acomodar novamente e viu cores onde antes não existiam.

Parou para ver um músico de rua que tocava um instrumento exótico, mas que fazia com que o ouvinte viajasse junto. Tentou lembrar por que nunca saiu do país, por que nunca fez as viagens que tanto sonhou. Depois de pensar muito culpou o trabalho, a família, os amigos e a obrigação… mas, no final, culpou a si mesmo por se deixar prender. Ele não era mais o mesmo e isso não iria mais acontecer.

Lembrou que sempre amou sua amiga de trabalho, mas por medo nunca disse nada, nunca se declarou, nunca se arriscou por um sim. Ele caminhou ate o trabalho, com duas satisfações distintas: a de não estar indo forçado a esse lugar pela primeira vez e de ir finalmente expor suas emoções para sua amada.

Ele a olha de longe ela esta de cabeça baixa olhando para uma foto dele. Ele se aproxima, feliz por saber que ela também sente algo por ele. Ele olha para o rosto dela e as lagrimas estão escorrendo nas duas faces, ele chora de felicidade e ela de tristeza pela morte do amigo.

 

Máquina de Sonhos

Um dia aqueles humanos cansaram de suas vidas medíocres; cansaram de seguir os mesmos caminhos todos os dias; cansaram de olhar e ver o mesmo céu cinzento; cansaram da falta de sorrisos, do excesso de lágrimas e de toda a pressão que a vida lhes causava.

Máquina de Sonhos [1]

Eles finalmente encontraram uma solução, uma máquina de sonhos. Ela não foi criada ou pensada, ela realmente foi encontrada. Seu funcionamento era simples:a cada vez que você olhava pra ela, um sonho aparecia. A máquina não criava o sonho. Ela apenas podia perceber o que estava ao seu redor e tirar o melhor de cada situação criando um sonho.

A máquina podia ver coisas que os humanos não podiam, ou melhor, que aqueles humanos não podiam. Ela não tinha barreiras, não tinha as mesmas visões turvas que eles tinham. Ela simplesmente se permitia sonhar, era o que ela fazia 24 horas por dia. Sempre um sonho diferente, uma fantasia nova, sempre indo a lugares não vistos, sempre encontrando coisas novas… ela nunca parava.

Ela serviu de base para aqueles humano começarem a ver as coisas diferentes e começaram a se permitir sonhar. Na verdade, os humanos aprenderam com a máquina. Aprenderam a não fechar os olhos e assim poderem ver os sonhos. A máquina os ensinou a viver de novo e devolveu aquela chama que faltava.

No entanto, a máquina, com o passar do tempo, talvez pela pressão daqueles humano, parou de sonhar. Ela começou a comporta-se como eles, a viver como eles, a enxergar como eles. Os olhos dela não brilhavam mais e, por fim, a máquina se tornou como aqueles humanos. Não por opção, mas tudo a forçou a fazer isso.

Um dia ela acordou e não podia mais sonhar. Ela olhava triste e lembrava dos tempos em que nada lhe era negado, dos tempos em que sua imaginação era viva. Conforme os dias passavam, mais triste ela ficava, pois sabia que aquilo ainda estava dentro dela, perdido em algum lugar.

A máquina agora era um adulto.

[1] http://2zai.blogspot.com.br/2013/05/maquina-de-sonhos.html

La Seine

Apreciar o por do sol na beira de um rio, um lanche com os amigos, uma conversa sem compromisso. Quanto vale essas experiências?

         Viajar como hippie é bom…               mas com o cartão de crédito no bolso.

Naquela tarde cada um tinha uma história, cada um tinha um motivo para estar lá. Para a maioria deles, aquela era a primeira vez que se viam, mas por alguma razão tudo era tão mágico.

Os amigos o chamaram para o picnic. Era só passar no supermercado e comprar algo para beber, algo para comer e o resto era o calor humano. Todos se reúnem, cada um traz o que gosta. Uma apresentação rápida e todos começam a conversar. Tudo é novo, tudo é uma desculpa para outro papo.

Comida e bebida rolando. Os comentários são variados: eu gosto desse queijo; esse patê é bom; prova o pão; esconde o vinho a polícia tá passando. Tudo acontece naturalmente, comida, bebida, conversa e música.

Alguém pega os instrumentos e o batuque começa! Samba das antigas, lembranças de uma terra distante. A alegria contagia e o sol parece dançar. Seu reflexo nas águas adquire o movimento do rio e sua luz se esconde candidamente.

Como crianças ele comeram, conversaram, beberam e se conheceram. Como crianças eles esqueceram seus problemas e partilharam a felicidade das coisas simples. Dinheiro não compra aquela conversa, não compra aquele momento, não compra aquelas amizades. Mas, ainda assim, ele te leva pra sofrer em Paris.

Vai quem quer

Ao olhar para uma praia, suas belezas, formações e desenhos, é possível entender porque existem rochas nas laterais formando penínsulas e praias com areia no centro, dando à elas a característica forma da letra “U”.

Vamos falar do amanhã…

No começo, todas aquelas formações eram um só paredão de pedras que devido as lutas com as ondas foram deformadas. As pedras fortes suportaram as ondas e aprenderam a se adaptar e continuar no mesmo lugar de origem. As fracas foram definhando, recuando e ficando restritas a grãos de areia, cada vez mais distantes de suas irmãs.

Com o ser humano acontece o mesmo: Homens e mulheres nascem feitos de rochas e com possibilidades de estarem no mesmo lugar ao sol. Os fortes suportam as ondas e se adaptam às mudanças. A vida os pressionam e eles crescem se modificando e fortalecendo. Os demais, fracos ou que não aceitam as mudanças, vão definhando, recuando e se transformando em sombras das pessoas que já foram.

Os primeiros olham para trás e veem que avançam mais e mais. No entanto, a verdade é que são os segundos que recuam mais e mais, se escondendo, fugindo e fechando suas mentes.

As mudanças que passamos hoje, são passos necessários para melhorias. Adaptar-se e aceitá-las é a chave para seguir adiante. Essa verdade aprendida com a natureza pode ser negada por algum livro ou por pessoas que mantém o poder sobre outras, jogando com suas mentes e esfarelando-as até o ponto de sombras de fantoches, mas, ainda assim, as ondas da vida não param.

Entardecer

As luzes apontavam para o centro do picadeiro, como setas indicando o caminho. Os sons banhavam o ambiente ao evocarem o rei. Todos os olhares, todas a atenções estavam voltadas unicamente para Sansão.

De que é feita a corrente?

Ele entrou com passos lentos e fortes, mostrando a todos suas poderosas patas. Sua juba fazia com que seu porte fosse magnífico aos olhos. Ele olhou os presentes e viu em seus olhos a mistura de encanto e medo. Ele apoderou-se de seus instintos, ergueu a cabeça e rugiu! Por um momento a luta entre medo em encanto foi vencida pelo medo e a plateia ficou apenas parada maravilhados com a presença tão forte e imponente de Sansão.

Um estalo e uma palavra de ordem… As patas de Sansão até então poderosas começam a tremer. Cabeça abaixada, agora olhando apenas para o chão. Ele para de rugir e percebe que não tem mais suas presas. Ele olha para as patas e percebe que não tem garrafas. Eles olham para ele e só o medo permanece nos olhos de Sansão.

Ele se recorda de quão forte e orgulhoso ele era, se recorda de brigar muito e de não aceitar ordens como qualquer um. Gritavam, ele rugia de volta. Batiam, ele atacava. Ele não se dobrava. Tudo que ele precisava era de seu orgulho, suas garras e presas.

Às presas foram as primeiras. Um dia o sedaram e retiraram todas. Ele acordou com um gosto estranho na boca. Com dores e percebeu que eles estavam começando a dobra-lo. As garras eram aparadas periodicamente, como um ritual para lembra-lo que ele não era nada. O orgulho se foi com o tempo e as humilhações sofridas como o abaixa e rola por conta de um pedaço de comida.

Ele estava completamente dobrado. Ele abaixou e esperou pela próxima ordem. Esperou como súdito. Esperou como menino. Esperou como leão castrado que era. Agora o obedecer garantia sua sobrevivência. Então ele miou.

Depois de ter ido ao circo ver o incrível Sansão, ele agora aproveita o dia de folga. Dia de relaxa e descansar depois de todos os dias de trabalho pesado. São sete da noite. Ele se ajoelha. Ele sabe que é mais forte, porem se ajoelha. Ele sabe que não precisa faze isso, mas algo enterrado tão profundamente na sua cabeça o manda fazer.

Ele abaixa a cabeça, de joelhos olha para o chão e de mãos atadas diz amém.

Always-Always Land

He woke up one day and decided that he didn’t want grow up, that he always wanted to be a kid, playing, running and having fun. He decided that he would be Peter Pan in this world full of traditional concepts, that he would never get married, or better, that he could not get married. He said that he didn’t want to have children, that he did not want responsibilities.

                 The dream come true

Life should be an endless joke with its comings and goings. He should always free to dream, always free to do what he wanted, without concerns about tomorrow. Sleeping where and when he wanted, to feel what he wanted. Nobody could harness him or force him to conform to their tedious standards.

After searching for so long, he found his Tinker Bell. He found his fairy that would deliver him to his dreams. Not to Never-Never Land, but to Always-Always Land. Now this was not a kid’s dream, because his fairy was real and she made his dreams into reality. They could fly together to plazas, forests, beaches and the world. She taught him that growing up was not bad. He would sometimes have to do things that he did not like, but he shouldn’t stop dreaming and believing in her.

The time passed, the kid grew up with the fairy at his side. The fairy thought that he was care of her, but actually, she was taking care of him, keeping the flame alive, keeping his mind healthy, keeping him happy.

It is morning, the old boy has to work. He says goodbye to his fairy with a candy kiss. She look into his eyes, she still can see the dreaming boy, and she says:

_ Goodbye daddy.

Viver!!!

    Eles se encontraram após muitos anos de separação. A vida tinha proporcionado o reencontro. Olhares e abraços. Ritos de uma amizade longa. Já se conheciam há anos. Cada um sabia a historia permanente do outro. Já as histórias que são escritas enquanto vivos, ainda era um segredo não revelado.

    Cada um contou dos lugares que estiveram, das pessoas que conheceram, dos cheiros que provavam e principalmente dos sentimentos que sentiram.

    A primeira vez foi difícil para ambos. Eles se sentiram solitários e como se tivessem sido abandonados após um ótimo relacionamento. Lembraram do medo do desconhecido e não entendiam que para viver era preciso deixar ir e se deixar levar.

    Um lembrou de uma noite que passou com uma família. Todos o receberam de braços abertos. Falou da maravilhosa noite a beira da lareira onde ele era o centro das atenções e o motivo por ter a família toda reunida.

    Outro lembrou de uma semana que passou em uma ilha paradisíaca com um grupo de jovens. Gente querendo se divertir, compartilhar e amar. Lembrou do luau onde inebriados pela atmosfera todos ecoavam seus versos e viviam como se não houvesse amanhã.

    Eles lembraram das viagens ruins que fizeram e mostraram as cicatrizes tanto físicas quanto mentais. Infelizmente eles haviam conhecido pessoas ruins na estrada, mas isso nunca os fez parar.

   Acima de todas as lembranças uma se destacava. Em uma de suas aventuras ele acabou conhecendo um novo amigo. No entanto, esse amigo passou por tempos difíceis e não suportava mais viver. Ele contou como passou semanas tentando convencê-lo a não desistir. Contou como o carregou em seus ombros e o trouxe de volta. Também falou da emoção da despedida e o sorriso de amizade de ambos.

   Após contarem suas novas historias eles respiraram orgulhosos um do outro por saber que o outro continuava a explorar o mundo. Eles olharam ao redor e viram o sebo. Se deitaram e esperaram pacientemente o próximo comprador de livros.