Always-Always Land

He woke up one day and decided that he didn’t want grow up, that he always wanted to be a kid, playing, running and having fun. He decided that he would be Peter Pan in this world full of traditional concepts, that he would never get married, or better, that he could not get married. He said that he didn’t want to have children, that he did not want responsibilities.

                 The dream come true

Life should be an endless joke with its comings and goings. He should always free to dream, always free to do what he wanted, without concerns about tomorrow. Sleeping where and when he wanted, to feel what he wanted. Nobody could harness him or force him to conform to their tedious standards.

After searching for so long, he found his Tinker Bell. He found his fairy that would deliver him to his dreams. Not to Never-Never Land, but to Always-Always Land. Now this was not a kid’s dream, because his fairy was real and she made his dreams into reality. They could fly together to plazas, forests, beaches and the world. She taught him that growing up was not bad. He would sometimes have to do things that he did not like, but he shouldn’t stop dreaming and believing in her.

The time passed, the kid grew up with the fairy at his side. The fairy thought that he was care of her, but actually, she was taking care of him, keeping the flame alive, keeping his mind healthy, keeping him happy.

It is morning, the old boy has to work. He says goodbye to his fairy with a candy kiss. She look into his eyes, she still can see the dreaming boy, and she says:

_ Goodbye daddy.

A Dança

Ele levantou a espada e olhou seu oponente. Do outro lado era uma mulher que empunhava a espada. Ela era mais fraca e menor que ele, porem com aquele tipo de espada nada disso importava.

Ele olhou para a espada reluzente, afiada e sedenta por sangue. No entanto, quando viu seu reflexo, viu seu rosto pálido e o medo enraizado em seus olhos, cravado fundo em sua alma. Além do medo que era compartilhado por ambos, a sede os dominava.

Eles começaram a dança. Uma espada toca a outra, cada ataque é repelido, cada golpe é desviado. Aquela não era a primeira vez que eles se enfrentavam. Cada um já aprendeu a ler o outro com o tempo. Os golpes eram previsíveis, eles eram quase um espelho. A sincronia era tão boa que fariam um belo casal, se não fossem aquelas espadas.

Ele usa seu alcance maior e consegue ganhar terreno. Ela esta visivelmente cansada, pressa em um canto, quase indefesa. Ele se prepara para o golpe final. Entretanto, seus olhos se cruzam e neste momento ele enxerga a pequena menina que se esconde dentro daquela armadura.

Foi um segundo, o tempo de um piscar de olhos. Quando ele hesitou ao ver a menina. Ela desferiu um golpe certeiro e firme no coração do oponente. O sangue banhou a espada e as forças dele falharam. Ela viu as lágrimas em seus olhos e percebeu que ele se conteve. Ela o segura, retira a espada e com um beijo cura a ferida.

Esta noite a luta terminou na cama, com dois animais se amando, ardendo de desejo. Eles se olham e não entendem como ainda usam as espadas. Ela dorme no seu ombro. O coração esta curado, mas um pedaço da espada sempre fica lá dentro, crescendo e consumindo, esperando pelo próximo golpe.

 

Despertar

Ele praticamente não dorme. Ele não precisa disso, mais ainda, ele não pode dormir, pois ele nunca para. A única coisa parecida com descanso é um período no qual ele fica sereno, calmo, enfim, diferente.

São 2 horas da manha e ele desperta de seu descanso. Olhos cansados, ossos doendo do frio, cabelos desarrumados, palavras presas na garganta esperando pela oportunidade de fuga, cheiros diferentes, ainda novos e doces, água batendo, barcos chegando e trazendo a vida.

Seu despertar é como um parto: gritos, sangue, choros, alegrias. Seus sentidos despertam aos poucos, um após o outro pra redescobrir o mundo que foi deixado para trás.

O primeiro sentido é a visão. Uma explosão de cores e formas, dispostas seguindo a pura ordem dos caos. Aqui até o estático é belo, pois para cada lado existe a contradição. A velha briga entre o novo e o velho. Ou seria namoro?

O segundo é o tato, quando a movimentação começa, são vários ao mesmo tempo, todos caminhando, correndo de um ponto ao outro. Carrega, descarrega, joga, puxa, tira, põe.

A audição vem em seguida, respondendo aos movimentos. É um bate-bate, coisas escorregando, gritos, rissos. As palavras antes prezas se soltam, ganham a liberdade e lhe acertam com toda a força. Aqui não é uma corte, aqui é o mundo real.

Os cheiros despertam, primeiro doces, ainda misturados com o ar da madruga, depois amargos. É o suor, é a perfume, tudo vira um só. Ele lhe embriaga, ele é forte, não te deixa decompô-lo. Esse é o cheiro dele.

O paladar é o ultimo. Ele segue o olfato, porem sem a mistura. Em cada canto um gosto. É frito, cozido, assado, crú. É natural, é orgânico é puro. Gostos de todas as partes, trazidos pela maré, se juntam aqui, lhe permitindo fazer uma viagem.

Os primeiros raios de sol chegam até ele. Suas formas terminam por revelar-se, mostrando suas contradições, sua sujeira, suas imperfeições, sua beleza. É mais um dia no Ver-o-Peso.

Herói

Quando pensamos em heróis lembramos-nos de quando éramos crianças, em um mundo em que heróis tinham poderes. Hoje todos falam de heróis ate mesmo alguns “jornalistas”. Como já bem dizia Raulzito: “… todo mundo tem que reclamar.”. Eles gritam alto, para que todos vejam, mas não fazem realmente nada.

Quem quer se render primeiro?

Não quero falar de profissões de heróis, como os professores. Esse qualquer idiota que saiba ler/escrever deve perceber a sua real importância. O engraçado é que justamente as pessoas que não sabem ler são as que possuem um maior respeito a esta arte.

Lembro- me da época em que vivia no interior, éramos crianças, com um mundo em descoberta e morar numa cidade pequena é uma benção nessa época.

Era um grupo de garotos indo em direção a um igarapé, talvez apenas para ver a natureza e desfrutar de coisas simples como andar na mata. No entanto encarar o igarapé era uma aventura e garotos amam aventuras.

Um dos meninos entrou na água e começou a se afogar, seu irmão mais velho ao ver isso pensou rapidamente e lançou sua camisa para que o irmão mais novo à segurasse e pudesse ser resgatado. No entanto, o irmão mais velho esqueceu-se de segurar a sua ponta da camisa. Camisa e homem ao mar, sem mais opções o irmão mais velho pulou na água para o resgate, alcançando facilmente seu irmão, e afogaram-se juntos, pois, somente naquele momento o mesmo lembrou que não sabia nadar. Um dos garotos mais velhos entrou na água e salvou os dois que estavam na parte rasa do igarapé.

Após uma rápida recuperação e muita encarnação eles voltaram para casa, cresceram e o irmão mais velho se tornou bombeiro(espero que hoje ele saiba nadar). Foi naquele momento na beira do igarapé que nasceu o herói.

Ser herói é simplesmente não fechar os olhos. É usar tudo que temos, e algumas vezes o que não temos, para ajudar quem precisa ou para ir contra aquilo que achamos errado. Hoje aprendemos a ignorar as coisas, a nos calar, a permanecer na mesmice, na normalidade.

Não acredito que foram nossos educadores que nos ensinaram isso. Então acorde, levante, abra os olhos e faça a diferença pois fechá-los é o mesmo que morrer.

Olhos

    Qual era a cor dos olhos dela? Tento mas não consigo lembrar, sempre acabo me perdendo em um mar de possibilidade, em diferentes vertentes, em diferentes pontos de vista que sempre me levam a mesma pessoa.

    Lembro de olhos azuis como o céu, calmos e enigmáticos. Eles eram ao mesmo tempo tão serenos que me faziam querer permanecer no silêncio deles e tão amplos e profundos que faziam em me sentir pequeno e perdido… mas ainda assim em casa.

    Alguma vezes vi olhos verdes, cheios de esperança e sonhos. Olhos verdes como esmeraldas, olhos que me diziam “siga”, “vá” ou melhor ,“venha”. Era olhos naturais, olhos sem maldades,olhos que pareciam um sonho, pareciam como portas, pelo qual eu podia ver sua alma nua.

    É estranho, mas eu também vi olhos vermelhos, como de um animal, olhos de desejo, olhos de sede, olhos famintos. Mas eram olhos que tinham raiva, eram uma mistura de algo como um criança que quer o que não pode ou que tem o que não quer.

    Uma outra cor me chamou atenção, olhos castanho escuro, era quase como uma sombra, eles estavam lá escondidos, pareciam olhos de medo, olhos que não me deixavam entrar, olhos que sabiam que aquele não era o meu lugar, ou que pelo menos assim o queriam.

    Despertei sozinho na cama, sem olhos para olhar, pensando se aquilo foi um sonho. Não consigo lembrar a verdadeira cor dos olhos dela, mas lembro do cheiro. Era algo doce, algo apenas dela, guapa.

Poeminha Fuzzy

A cada respiração um tormento, um delírio, um alento.

A cada pensamento um sonho, um deleite , um desejo.

Olho para o lado e não lhe vejo,

Olho pra o espelho e não me vejo.

Me sinto perdido em meus pensamentos

Andando em um mar de vários momentos

Não sei mais o que vejo,

Não sei mais o que penso

Tudo se tornou turvo, nebuloso.

Nada mais é claro.

Hoje não existe você e eu,

Minha única certeza foi perdida.

Quando lhe perdi, me perdi.

Hoje sou apenas resto do homem que já fui.