Conhecimento: Meio e Fim.

Sempre existiram muitas teorias revolucionárias na história da ciência, estas diferem na intensidade em que influenciaram o pensamento humano, porem elas sempre tiveram como objetivo a produção do conhecimento e disseminação do mesmo. Partindo dessa idéia iremos fazer um “passeio” pela ciência e sua revoluções, tendo como trilho o conhecimento.

Vai uma idéia ai?

Nossa viagem começa quando o homem, depois de muito observar o mundo ao seu redor, começou a perguntar “por quê” e “como” diante das situações e fenômenos, ate então, incompreensíveis. Feitas estas perguntas, era necessário um meio de obter as resposta, muitos métodos foram elaborados, refinados, solidificados e então quebrados. Tudo isso foi possível graças a escrita, meio este materializado na forma de livros e afins,que possibilitava repassar os conhecimentos descobertos e que futuros trabalhos fossem iniciados tendo como base os anteriores.

Apesar da criação de um volume relativamente grande de conhecimento, este não foi, em grande parte, disseminado, graças a vários motivos que vieram a decair com a grande revolução científica do inicio do século XV. Esta Revolução pode ser vista de quatro vertentes distintas, porem não excludentes, que juntas possibilitaram o surgimento da ciência moderna.

A Primeira foi o renascimento cultural que trouxe como principal característica o Humanismo. Esta corrente pregava a utilização de um senso de critica mais elevado e uma maior atenção as necessidades humanas, no caso o antropocentrismo em detrimento ao teocentrismo vigente graças a igreja e seu dogmas. Isto possibilitou ao homem olhar os fenômenos sem uma serie de preconceitos estipulados pela igreja e principalmente fugir de “explicações” que não tivessem origem no plano terreno.

Ciência X Religião ???

Em seguida temos a impressa, não apenas a inserção de técnicas de reprodução novas , fato este que veio a contribuir de maneira intensa na massificação do conhecimento, pois possibilitava a impressão de vários volumes de maneira rápida e sem erros, mas também a propagação de conhecimento em línguas diferentes do latim e usando uma linguagem acessível não apenas ao estudiosos da área. Esta sim , pode ser considerar a primeira tentativa de democratização de conhecimento pois possibilitava que qualquer um tivesse acesso a documentos contendo o fruto da pesquisa de varias pessoas. Temos como exemplo o livro A origem das espécies de Charles Darwin que teve sua primeira edição esgotado no dia do lançamento.

Temos ainda a reforma religiosa que inseriu uma forma diferente de apreciar a existência de Deus através da ciência, este fato veio a impulsionar o crescimento da pesquisa, pois caia com isso uma grande barreira, a de que ciência e religião não se misturam.

Por ultimo temos o Hermetismo que exaltava uma concepção do universo quantitativa, encorajando o uso da matemática para relacionar medidas e grandezas. Esta mesma matemática que foi disseminada possibilitou a criação de um novo método científico mais critico e principalmente mais formal e rigorosa.

Todos esse movimentos tiraram o conhecimento das mão de um elite, até o momento o clero, e colocaram nas mão de outra, pois apesar de não existirem restrições como antes, ainda havia uma relação de custo e de espaço que precisava ser quebrada. Mesmo com estas barreiras tivemos um crescimento nunca antes visto na ciência que resultou em uma nova era: A Era da Informação. O tempo e o espaço foram comprimidos e com isso o custo. Hoje dispomos de informação sobre demanda, as matéria que antes tinha os átomos como limite de divisão, hoje deixou de ser um meio de guardar o conhecimento, agora ele esta na forma de bits, virtualmente em todos os espaços, possibilitando a colaboração entre as mais variadas pessoas nos mais variados lugares.

Um grande exemplo é o movimento de software livre. Aqui a ultima barreira para o conhecimento cai! Não existe mais uma elite que detém o conhecimento, personificado na forma de software, ele é dinâmico e não tem dono, pela primeira vez o conhecimento é o meio e o fim de algo. Hoje caminhamos para uma nova ordem, onde não se vende mais o conhecimento ele finalmente é universal, desta vez não apenas em teoria e palavras, mas sim em atos.

Como o filho esta sempre destinado a fazer coisas mais grandiosas que os pais. O que podemos espera dessa nova forma de fazer conhecimento? Quais seus limites ? Não são mais dois ou três pessoas trabalhando, e sim, virtualmente o mundo todo e de forma cooperativa. Temos o avanço da robótica que num futuro ira nos libertar de trabalhos braçais, afinal estamos prontos para isso? Toda a nossa cultura foi voltada tendo como base o trabalho, foi um nova religião semeada na nossa mente, que, como os dogmas da idade media, nos impedem de ver o amanhã livre.

Será esse o amanhã?

Será necessária mais uma revolução, uma que mude a nossa forma de ver o mundo, afinal ele mudou. O sol não gira em torno da terra e conhecimento não é propriedade, alguns aceitaram a primeira afirmação rapidamente, outros não. O Futuro esta ai, na nossa porta, como um trem, vestido de conhecimento, cabe a nos decidir se esperamos ou vamos, eu fui.