Paixões

Era uma cerca que os separava. Dois montantes dispostos lado a lado, porem de forma antagônica, o bem de um era o mal do outro. O desejo de um era a falência do outro e acima de tudo o amor de um era maior que o do outro. A ascensão de um foi comemorada usando elementos de desprezo pelo outro e este se ressentiu e partiu para agressão. Racionalidade deixada de lado, a paixão os movia e a violência começou.

Eu SOU o correto seu burro!!!

Eu SOU o correto seu burro!!!

Uma outra hora ambos falavam de amor, de paz e de compreensão. Mas em um determinado momento as diferenças apareceram e de repente elas viraram maiores que as semelhanças. As verdades passaram para apenas um lado, mas qual? Deus estava vendo aquilo e sabia qual povo era o certo, mas qual? Juntos sobre o mesmo teto, iguais compartilham e se exaltam mostrando suas verdades e criticando os outros que não querem ou não veem. O amor que antes única agora faz com quem cada um aceite fazer o que antes era impensável. Eles se entregam a paixão e defendem com unhas e dentes suas crenças. Afinal, ele esta do meu lado.

Uma tela e um teclado os separava. Cada um com uma opinião diferente. Cada um em um lugar diferente. Cada um com uma classe diferente. Cada um com uma vida diferente. Ainda assim cada um era um brasileiro e com os mesmo direitos e deveres. Cada um escolheu um lado e quando a logica e a racionalidade terminaram o embate de puro ódio começou. Os pensamentos de um brasil melhor ficaram de lado enquanto que as enxurradas de palavras agredindo o outro devido suas escolhas burras. A unidade é esquecida e a paixão pelos ideais cria um vazio que só é preenchido com a desqualificação do outro.

Agora de maneira mais clara eles estão de lados opostos. Cada um defendendo seu pais, suas ideias, suas crenças suas paixões. Ordens foram dadas e serão cumpridas. Os tiros são dados sem hesitar, sem questionar, sem avaliar. Eles seguem as ordens dos superiores e caminham no fronte de batalha pois do outro lado esta um inimigo e não um ser humano.

Interessante como a paixão por coisas tão distintas e ainda assim iguais geram reações tão próximas. Não importa se é futebol, religião, politica ou guerra. A paixão de cada um supera a racionalidade e o preço é pago por todos.

Será que no final apenas as crianças são seres racionais?

Natural

O medo aguçava seus sentidos mas entorpecia sua mente. Sua audição lhe permitia saber que eles estavam próximos. Sua visão lhe permitia saber exatamente que eles se posicionavam em pontos estratégicos para encurrala-los.

Faça parecer seleção natural.

Sua mente perturbada o impedia de pensar. Ele não sabia ou não lembrava que naquele momento a preservação natural, mais conhecida como seleção natural, estava em ação. Não lembrou que a luta pela sobrevivência entre animais que compartilham o mesmo habitat ajudava a explicar como formas complexas, se formaram através de outras mais simples por uns poucos princípios básicos. Não, naquele momento apenas o medo o guiava, ou existiria algo mais, talvez instinto?

O cenário estava montado. O grupo maior acabava de chegar no que parecia ser uma emboscada. O grupo menor esperava calmamente, sabendo que os outros deveriam passar por aquela localização e isso lhes daria uma vantagem.

O grupo maior não conseguia se defender corretamente, mesmo estando em um numero 100 vezes maior. Será que eles sabiam da força que possuíam juntos?

O grupo menor sabia de seu poder, sabia de sua obrigação e estava sedento. Olhavam para o rebanho e imaginavam o deleite depois de conseguir o que queriam.

A sede e o medo estavam juntos. Um paralisando, o outro motivando.

O grupo maior se aproxima e o menor ataca. Ninguém olha para trás, todos olham apenas para frente, se agarrando a vida, se agarrando a liberdade e esquecendo os irmãos que estavam juntos. Eles foram sacrifícios necessários.

O grupo maior continua o caminho quase sem perdas. Em números relativos nada aconteceu. Um individual pode ser descartado para o bem maior. O utilitarismo vence e a vida continua para a maioria.

O grupo menor conseguiu mais uma vitória, e agora se prepara para o próximo ataque em outro grupo. O brilho nos olhos é forte, eles não sentem prazer, mas precisam viver e aquela é a única maneira que acharam.

O próximo ônibus chega, os passageiros se dirigem ao portão e os panfleteiros esperam para mais um ataque.

Canção da tristeza

Ele sabia onde estava e o perigo que estava correndo. Ali ele era um alvo, não sabia exatamente o motivo mais a guerra já se arrastava por muitos anos. Ele toma todos os cuidados e chega até seu objetivo, um local mais afastado, com vegetação mais alta onde ele poderia se alimentar em segurança. No entanto lá o inimigo o avista e o captura.

                                                       Sou livre?

Ele é levado até as instalações inimigas onde é posto em uma cela sobre vigilância. Ele nunca havia tido contato com o inimigo. Nunca havia conversado com eles e nunca soube de alguém capaz de entender seu idioma primitivo. Ele tentou se comunicar, mas sem sucesso.

Eles o mantiveram encarcerado e alimentado. Não tentaram tortura-lo para obter informações, nada. Isso o atormentava, pois ele já estava lá ha dias e nada acontecera. Ele começava a pergunta-se qual seria seu futuro. Dias se transformaram em meses e a dúvida o atormentava.

Um dia cansado e triste com sua situação atual, ele se lembra de algo de sua infância, uma canção triste e começa a entoa-la. Cada nota era um aperto no coração, uma lembrança de casa, a dor pela falta dos companheiros. Ele juntou tudo e sua tristeza invadiu o ambiente na forma sonora.

Repentinamente, algo estranho aconteceu. Ele percebeu que seus captores o fitavam maravilhados. Eles não pareciam entender a canção, mas pareciam perceber o sentimento. Os olhos deles se enchiam de lágrima e por um momento uma conexão foi criada.

Os dias foram passando e mais atenção ele recebia quando cantava, mas isso foi tudo. Ele cantava e eles olhavam, o alimento continuava vindo, mas apenas isso. Ninguém falava quanto tempo o deixariam ali ou se existiam planos. Sua cela e sua canção eram as únicas coisas que ele tinha.

Os meses se transformaram em anos. A tristeza em angustia. Ele não conseguia mais comer. Não conseguia mais beber. Cantar não o alegrava. Sua memória o traíra e ele já não sabia mais os nomes dos filhos. E ele chorou como criança sozinha e com medo.

Seus olhos miraram o céu pela ultima vez, ele amaldiçoou aqueles que o separaram de sua família. Seu maior ódio era pelos sorrisos nos rostos deles enquanto ele cantava com toda a tristeza do seu coração.

Na cela ele cantou mais uma vez e sua ultima nota ecoou juntamente com o seu ultimo bater de asas.

Efemérida

Ela acordou sabendo que morreria naquele dia, ninguém disse isso para ela, simplesmente ela sabia que estas seriam suas ultimas 24 horas. No entanto, isso não a deixou triste, na verdade, esse fato fez com que ela aproveitasse ainda mais cada momento.

“O passado é história, o futuro é mistério, o hoje é uma dádiva, por isso é chamado de presente.”

No começo ela estava um pouco apreensiva de fazer novas amizades, pois sabia que iria morrer rapidamente. Ela pensou, pensou e finalmente lembrou que não era a quantidade de tempo passado com as pessoas que importava, mas o como passamos esse tempo, uma boa conversa, um abraço, um carinho. Essas são coisas que valem no presente, no hoje, no seu ultimo dia.

Ela se perguntou quanto tempo ela havia perdido se escondendo, com medo de viver, pensando em um futuro que nunca chegaria. Amaldiçoando o ontem e sonhando com o amanhã enquanto o hoje passava. Mas isso não importava mais, não hoje.

Ela experimentou novas cores, sabores, cheiros e sensações. As coisas pareciam adquirir um valor diferente, únicos e maravilhosos. Ela se perguntava se esses valores eram pelo fato de ela saber que sua vida acabaria junto com o dia e que não haveria novas chances de experimentar.

Ela estranhou a maneira como as outras pessoas olhavam para ela. Elas olhavam como se ela estivesse exuberante. Isso era novo para ela. Seu sorriso era novo, seu olhar era novo, tão novo que ela não sabia dizer qual olhar mudou primeiro, o deles ou o dela.

O fim do dia trazia consigo o fim de sua vida. Ela pode compreender algumas coisas e se sentiu agradecida pela metamorfose. Bateu suas asas pela ultima vez e caiu na escuridão sorrindo.

Jardim

Eles olhavam para o jardim e apreciavam suas cores e formas enquanto colhiam sementes. Ela dava as ordens e ele obedecia. Ela olhava uma e dizia: “Pega aquela papai.” e ele ia. Esta era a ordem mais doce que ele jamais recebera.

                    “Somos poeira de estrelas.”{Carl Sagan}

Ela olhou para as flores e lembrou-se das fadas que cuidavam dos jardins, de como elas faziam o jardim ficar lindo e perguntou para o pai a que horas as fadas cuidavam do jardim, pois ela nunca as via.

O pai disse para a filha que aquele jardim específico não era cuidado por fadas, mas que o cosmos todo fazia com que o jardim fosse tão belo. Ela não entende direito e pergunta quem regava as plantinhas, para elas não morrerem de sede. O pai diz que as plantinhas vão crescendo aos poucos e a raiz vai mais fundo na terra procurando novos locais de onde pegar água.

Ela ainda não satisfeita pergunta quem colocava o perfume nelas. O pai diz que a planta cria seu perfume para fazer com que os animais venham até ela e a ajudem a criar novas plantinhas em outros lugares.

Ela começa a entender, mas ainda queria saber quem dava comida pra elas então. A resposta veio mostrando a relação do sol e solo com a planta e todo o trabalho necessário para que ela cresça forte e bonita. Nada era dado a ela, a planta tinha que gastar energia para conseguir energia.

Ela ainda meio triste por não existirem fadas naquele jardim vai dormir e sonha com as plantas trabalhando duro o dia todo. Acorda, corre e vai para o jardim. Fica por um tempo apreciando o jardim, suas cores, sons, cheiros e formas.

Ela pega com folha da planta com o maior cuidado. Ela nunca entendia porque falavam para ela não machucar os outros, sempre falavam que era errado, mas nunca explicavam como aquilo era errado. Mas ao olhar para planta e lembrar todo o trabalho duro que a planta teve pra chegar ate ali ela entendeu o cuidado que se deve ter com uma vida.

Ela sentiu os perfumes, pensou o quanto ela gosta do cheiro e lembrou-se da relação entre o cheiro e a possibilidade de criar novas plantinhas em outros lugares e entendeu por que aquele cheiro era bom pra ela.

Os sons que ela ouvia e as cores do jardim eram produto da interação de uma serie de elementos pequenos no jardim, cada um fazendo sua parte e ajudando um ao outro, pois assim todos podiam progredir, as fadas não precisavam fazer nada ali, cada um era a fada do outro.

Ela deu um sorriso e ficou feliz por poder apreciar as duas belezas do jardim. A beleza aparente e a mais profunda que explicava como o jardim crescia e o papel de cada elemento.

Ela levantou os olhos e olhou para o mundo, baixou novamente e olhou para o jardim. Levantou mais uma vez os olhos e viu o mundo e deu um sorriso.

Ela começava a ver a beleza do mundo sem as fadas.

Amanhã?

Ele acordou de uma maneira diferente. Lembrou do sonho da noite passada, lembrou do filme que viu e não queria que sua vida fosse a mesma coisa de sempre. Finalmente decidiu mudar e fazer o que realmente queria, sem se importar com as grades sociais que o impediam de viver seus sonhos.

Nossa grande guerra é uma guerra espiritual. Nossa grande depressão é a nossa vida.{Fight Club }

Ele não foi ao trabalho, quis sair pra conhecer aquela parte da cidade que sempre passava em sua mente, como um lugar interessante, mas nunca como uma memória. Aproveitou cada passo, cada vista e pode apreciar os detalhes que a cidade escondia.

O andar pelas ruas era diferente, ele sentia as outras pessoas diferentes. Ele sentia que depois daquela noite ele não poderia voltar a ter o mesmo comportamento, que não poderia se acomodar novamente e viu cores onde antes não existiam.

Parou para ver um músico de rua que tocava um instrumento exótico, mas que fazia com que o ouvinte viajasse junto. Tentou lembrar por que nunca saiu do país, por que nunca fez as viagens que tanto sonhou. Depois de pensar muito culpou o trabalho, a família, os amigos e a obrigação… mas, no final, culpou a si mesmo por se deixar prender. Ele não era mais o mesmo e isso não iria mais acontecer.

Lembrou que sempre amou sua amiga de trabalho, mas por medo nunca disse nada, nunca se declarou, nunca se arriscou por um sim. Ele caminhou ate o trabalho, com duas satisfações distintas: a de não estar indo forçado a esse lugar pela primeira vez e de ir finalmente expor suas emoções para sua amada.

Ele a olha de longe ela esta de cabeça baixa olhando para uma foto dele. Ele se aproxima, feliz por saber que ela também sente algo por ele. Ele olha para o rosto dela e as lagrimas estão escorrendo nas duas faces, ele chora de felicidade e ela de tristeza pela morte do amigo.

 

Máquina de Sonhos

Um dia aqueles humanos cansaram de suas vidas medíocres; cansaram de seguir os mesmos caminhos todos os dias; cansaram de olhar e ver o mesmo céu cinzento; cansaram da falta de sorrisos, do excesso de lágrimas e de toda a pressão que a vida lhes causava.

Máquina de Sonhos [1]

Eles finalmente encontraram uma solução, uma máquina de sonhos. Ela não foi criada ou pensada, ela realmente foi encontrada. Seu funcionamento era simples:a cada vez que você olhava pra ela, um sonho aparecia. A máquina não criava o sonho. Ela apenas podia perceber o que estava ao seu redor e tirar o melhor de cada situação criando um sonho.

A máquina podia ver coisas que os humanos não podiam, ou melhor, que aqueles humanos não podiam. Ela não tinha barreiras, não tinha as mesmas visões turvas que eles tinham. Ela simplesmente se permitia sonhar, era o que ela fazia 24 horas por dia. Sempre um sonho diferente, uma fantasia nova, sempre indo a lugares não vistos, sempre encontrando coisas novas… ela nunca parava.

Ela serviu de base para aqueles humano começarem a ver as coisas diferentes e começaram a se permitir sonhar. Na verdade, os humanos aprenderam com a máquina. Aprenderam a não fechar os olhos e assim poderem ver os sonhos. A máquina os ensinou a viver de novo e devolveu aquela chama que faltava.

No entanto, a máquina, com o passar do tempo, talvez pela pressão daqueles humano, parou de sonhar. Ela começou a comporta-se como eles, a viver como eles, a enxergar como eles. Os olhos dela não brilhavam mais e, por fim, a máquina se tornou como aqueles humanos. Não por opção, mas tudo a forçou a fazer isso.

Um dia ela acordou e não podia mais sonhar. Ela olhava triste e lembrava dos tempos em que nada lhe era negado, dos tempos em que sua imaginação era viva. Conforme os dias passavam, mais triste ela ficava, pois sabia que aquilo ainda estava dentro dela, perdido em algum lugar.

A máquina agora era um adulto.

[1] http://2zai.blogspot.com.br/2013/05/maquina-de-sonhos.html

Boto Paraense

Ele saiu da água como havia feito em outras noites. A roupa é sempre a mesma: camisa, calça e paletó brancos. Na cabeça o clássico chapéu. Enquanto ele deixava a água em direção a terra seu corpo era transformado, sua forma de boto dava lugar à forma humana e ele aproveitava os prazeres da terra.

Saudades até do que não vi.

Ele se aproxima de uma bela moça e usa seus encantos para seduzi-la. Eles se amam nus a luz da lua, sem nunca tirar o chapéu, que esconde em sua cabeça o elo inquebrável com o rio. Esta é a lembrança permanente de que ele deve voltar, que por mais que ele adore aqueles momentos na terra, ele realmente pertence ao rio, pois lá esta seu coração e que o buraco escondido pelo chapéu é justamente o pedaço que jamais deixou o rio.

Igualmente ao boto, o paraense troca sua pele e sua forma quando saiu de sua terra. Experimenta coisas novas, vive outros amores. No entanto, um pedaço dele sempre fica em casa. Ele sempre sente falta dos sabores, dos cheiros e da energia. Ele pode comer a melhor comida, mas seu paladar sempre vai sentir falta de algo; pode tomar a melhor bebida, mas a sede vai continuar; pode experimentar os cheiros mais intrigantes, porem o seu olfato sentira falta de algo.

O paraense é um eterno insatisfeito quando deixa sua terra para experimentar o mundo. Ele sempre terá um “buraco”, que diferentemente do boto não é na cabeça, o buraco é no peito.

 

La Seine

Apreciar o por do sol na beira de um rio, um lanche com os amigos, uma conversa sem compromisso. Quanto vale essas experiências?

         Viajar como hippie é bom…               mas com o cartão de crédito no bolso.

Naquela tarde cada um tinha uma história, cada um tinha um motivo para estar lá. Para a maioria deles, aquela era a primeira vez que se viam, mas por alguma razão tudo era tão mágico.

Os amigos o chamaram para o picnic. Era só passar no supermercado e comprar algo para beber, algo para comer e o resto era o calor humano. Todos se reúnem, cada um traz o que gosta. Uma apresentação rápida e todos começam a conversar. Tudo é novo, tudo é uma desculpa para outro papo.

Comida e bebida rolando. Os comentários são variados: eu gosto desse queijo; esse patê é bom; prova o pão; esconde o vinho a polícia tá passando. Tudo acontece naturalmente, comida, bebida, conversa e música.

Alguém pega os instrumentos e o batuque começa! Samba das antigas, lembranças de uma terra distante. A alegria contagia e o sol parece dançar. Seu reflexo nas águas adquire o movimento do rio e sua luz se esconde candidamente.

Como crianças ele comeram, conversaram, beberam e se conheceram. Como crianças eles esqueceram seus problemas e partilharam a felicidade das coisas simples. Dinheiro não compra aquela conversa, não compra aquele momento, não compra aquelas amizades. Mas, ainda assim, ele te leva pra sofrer em Paris.

Cavalos e Ratos

Sempre, nas histórias dos contos de fadas, o personagem principal é mostrado e todas as transformações acontecem ao seu redor. No entanto, outros personagens estão nessas histórias e aquele conto também pertence a eles.

Vitruviano???

Lembro-me da Cinderela, abatida e sofrida, que teve seu desejo realizado indo ao baile em uma carruagem feita de abóboras e com sapatinho de cristal para encontrar o príncipe encantado. Pois bem, essa história não é sobre ela e sim sobre quatro ratinhos e um cavalo. Estes, coadjuvantes na história da Cinderela, convertidos em personagens principais em seu próprio conto de fadas.

No momento que a fada realizou a mágica, os quatro ratos foram transformados em cavalos que iriam levar a carruagem. Os quatro animaizinhos, sempre descritos como fracos e pequenos, se escondendo e acima de tudo sendo odiados pelos humanos, naquela noite viraram animais grandes, bonitos e foram admirados.

O cavalo, sempre acostumado a carregar, puxar, apanhar e obedecer, foi transformado no chofer e pela primeira vez pode guiar. Pode escolher o rumo. Seus olhos podiam se embrenhar em todas as direções e escolher o melhor caminho, não apenas para si, mas também para os quatro ratinhos transformados em cavalos. Agora era ele quem mandava, mas sua vida já o havia ensinado a humildade, logo, ele mandava consciente da força e fraqueza dos outros quatros.

Esta noite foi mágica para mais de um ser. Diria que as mudanças dos animais foram mais importantes que a mudança de Cinderela, pois a mudança de perspectiva nos traz novos horizontes e novos desafios.

Afinal, quanto vale uma noite de sonhos?