Têm fogo?

Fim de festa, ultimas despedidas, mais uma vez minha cabeça me prega peças, me prometo não beber mais daquela maneira. Incrível que sei que estou mentindo.

Saiu do ambiente, tenho que ir pra casa, são 4 da manha, o horário perfeito pra ter ideias estúpidas, descido ir andando para casa. Cabelo despenteado, roupa suada, pouco dinheiro na carteira, um cigarro na orelha. Tiro a camisa e começo a caminhada. Vejo as pessoas ainda nos bares bebendo, entro em ruas pouco movimentadas, um fio de sobriedade passa pela minha cabeça: O que estou fazendo aqui?

Caminho longo, perigos possíveis, já vejo pessoas esperando o ônibus, bem que eu poderia pegar um. Não, vou manter minha caminhada, chegar até meu castelo com minhas próprias pernas, enfrentando o perigo, as adversidades e principalmente o bom senso.

Após 30 minutos de caminhada já estou perto de casa, entro na praça que é meu último obstáculo, uma praça linda, arvore, luzes, história. Começo a andar por aquelas calçadas que já haviam visto tantas coisas, tantas vidas, tantos anos e penso como somos efêmeros.

Continuo a caminhada, meio da praça, olho a frente, três caras veem na minha direção, que droga penso eu, justo agora, depois de nadar tanto vou morrer na praia. Eles se aproximam, todos vestidos de preto, me pergunto o que fariam aquela hora na praça, na verdade eu já sei, só não queria aceitar. Perigo eminente pego minha camisa e coloco no outro ombro, tiro o cabelo do rosto e pego o cigarro que estava na minha orelha. Vou fazer minha aposta.

Eles continuam em minha direção, três metros de distancia, começo a falar com o cigarro na mão:

_ Irmão, têm fogo?

Eles me olham meio assustados, dão um passo para traz e balbuciam meio temerosos:

_ Agente nããão tem nada.

Eles saiam quase que correndo com medo que os assaltasse. Saiu rindo, com o cigarro na orelha novamente e me perguntando: Quando foi que nos tornamos tão covardes?