Um dia Frio

    É uma manhã atípica, são sete da manhã e as janelas ainda dormem. As pessoas acordam mas não conseguem acreditar no que sentem. Aquela, definitivamente, não era uma manha normal.

    As nuvens encobrem a cidade. Uma neblina se espalha mudando as cores, trazendo consigo uma calmaria com gosto de inverno.

    Janelas abertas, olhares de preguiça. A rede abraça com uma força nunca antes vista. Ela parece uma amante aquecendo seu amado e querendo mantê-lo eternamente junto.

    A primeira briga é vencida. Agora o banho. A água natural que sempre ajudou a despertar para o dia, hoje cai como facas rasgando a carne e a alma. Hoje ela não é amiga. Hoje ela congela até os ossos.

    As velhas roupas saem do armário. As mesmas sempre esquecidas, sempre indesejadas. Hoje brilham e trazerem consigo o calor usual.

    Hora de encarar o dia frio, de olhar a cidade com diferentes olhos, pois ela está diferente. Ela esta mais lenta, mais cinza, talvez até mais charmosa. Todos vestidos com suas roupas de frio. Até a cidade veste essa neblina.

    As horas passam vagarosamente e o calor usual retorna. Aquela manhã foi diferente. Uns juram que quase nevou. Aquela foi uma manhã paraense de 23ºC.